Na quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, a CSN Mineração aprovou a aquisição de até 11,17% da MRS Logística, realizando de imediato 9,17% por R$ 2,75 bilhões, com uma segunda etapa de 2% condicionada às aprovações usuais. Ao final, a CMIN passará a deter 14,30% do capital votante e 49,28% das preferenciais, reforçando influência na malha ferroviária crítica ao escoamento. Este movimento consolida a trajetória aberta um mês antes, com a negociação para aquisição de participação na MRS Logística e a notificação ao CADE em 18/11/2025, sinalizando continuidade estratégica e cuidado em governança em transação com parte relacionada.
Estrategicamente, ampliar a participação na MRS reduz dependência de terceiros, suaviza a volatilidade de fretes e dá previsibilidade a volumes — fatores centrais para capturar valor na expansão P15. A verticalização parcial da logística tende a reduzir o custo total por tonelada, mitigar gargalos de embarque e alongar a janela comercial de vendas premium, sobretudo em cenários de câmbio e frete mais pressionados. Essa leitura dialoga com os números mais recentes, que combinaram aceleração operacional com sensibilidade ao custo de transporte e ao índice de frete marítimo, como nos resultados do 3T25 — recordes operacionais e sensibilidade a fretes C3 e ao custo C1. Assim, a aquisição funciona como hedge estrutural para a curva de crescimento e a estabilização de margens.
Do ponto de vista de alocação de capital, a decisão se conecta à disciplina evidenciada em novembro: a empresa abriu espaço de liquidez e caixa ao autorizar a venda das ações em tesouraria em operações de mercado, criando flexibilidade para financiar projetos prioritários sem deteriorar a estrutura de capital. Com alavancagem negativa e geração robusta, destinar recursos à infraestrutura logística preserva a coerência entre retorno ao acionista e investimentos que destravam valor no ciclo. Além disso, a monetização de papéis oferece lastro tático para oportunidades em logística dentro de uma janela de 18 meses e sob governança reforçada, conforme o programa para alienar ações em tesouraria aprovado em 21/11/2025, que reforça liquidez e fortalece a agenda logística.
Em governança, a CMIN indicou que 974.852 ações ordinárias seguem vinculadas ao Acordo de Acionistas da MRS, preservando o arcabouço decisório do bloco de controle, enquanto a conclusão da segunda etapa depende das aprovações legais usuais. A companhia reiterou que manterá o mercado informado sobre novos desdobramentos. Em síntese, o movimento dá continuidade à estratégia de longo prazo: reduzir fricções logísticas, estabilizar custos e sustentar o ramp-up operacional com previsibilidade.







