Em fato relevante de 15/12/2025, a Bradespar aprovou a distribuição de R$ 587 milhões em proventos: R$ 330 milhões em dividendos e R$ 257 milhões em juros sobre capital próprio (JCP). Terão direito os acionistas posicionados em 15/12/2025; as ações passam a ser negociadas ex-direito a partir de 18/12/2025. Os dividendos serão pagos em duas parcelas: R$ 250 milhões em 30/12/2025 e R$ 80 milhões em 13/03/2026 (aprox. R$ 0,5972 por ON e R$ 0,6569 por PN na 1ª parcela; e R$ 0,1911 por ON e R$ 0,2102 por PN na 2ª). O JCP, de cerca de R$ 0,6139 por ON e R$ 0,6753 por PN, será pago em 13/03/2026, com IR na fonte de 15% quando aplicável; dividendos são pagos pelo valor declarado, sem retenção de IR. Os créditos ocorrerão via B3/Bradesco e acionistas com cadastro desatualizado devem regularizá-lo em agência do Bradesco. Os proventos serão imputados ao dividendo obrigatório do exercício, consolidando a previsibilidade dessa política desde a proposta de JCP de R$ 310 milhões submetida ao Conselho em novembro.
Do ponto de vista estratégico, fatiar os pagamentos entre dezembro e março sustenta o yield ao longo do próximo trimestre e funciona como ponte enquanto a holding busca a compressão do “holding discount”. O desenho dialoga com a dinâmica recente de preço versus valor patrimonial em estruturas concentradas e com a leitura de que a entrega de fluxo recorrente mitiga parte do prêmio de risco até que gatilhos mais estruturais se materializem (governança, reorganizações, decisões sobre a carteira). No início de dezembro, a Bradespar já havia sinalizado um fechamento marginal do spread, ainda elevado em termos históricos recentes, na atualização do “holding discount” para 34,9% em 28/11.
Além disso, o reforço da remuneração ocorre em paralelo à gestão das contingências que moldam a percepção de risco e, por consequência, o desconto. A etapa mais recente do processo tributário no CARF exonerou parte de multa, mas manteve o mérito em disputa, preservando incertezas que o mercado monitora para 2026. Ao avançar com uma agenda de distribuição mesmo nesse contexto, a holding sinaliza disciplina e confiança na geração de caixa, sem abdicar dos recursos para defender sua tese jurídica, conforme a decisão parcialmente favorável no CARF sobre a despesa de 2018.







