Três Tentos Agroindustrial convocou AGE para 30 de dezembro de 2025 com a finalidade de deliberar a declaração e o pagamento de dividendos intercalares de R$ 91.014.910,79, baseados nas demonstrações financeiras intermediárias de 30/09/2025. O valor estimado por ação é de R$ 0,182219167, sujeito a ajuste pela quantidade de ações em tesouraria na data de corte. Terão direito os acionistas posicionados em 30/12/2025 (inclusive), com pagamento previsto para 13/01/2026. As ações passarão a ser negociadas ex-dividendos na B3 a partir de 2/01/2025 (inclusive), segundo o comunicado. O documento é assinado pelo CEO e DRI, João Marcelo Dumoncel.
Do ponto de vista de geração de caixa e base de lucros, o pagamento proposto se ancora nas demonstrações de 30 de setembro. É o primeiro movimento de remuneração ao acionista após um trimestre de transição, em que a companhia combinou receita robusta, proteção financeira e execução de investimentos. No contexto recente, merecem destaque os números do 3T25: receita recorde, margens pressionadas e capex concentrado. A despeito da compressão de margens na Indústria, a gestão preservou resultado financeiro positivo e alavancagem sob controle, o que ajuda a explicar a confiança para propor dividendos intercalares agora. Essa escolha sinaliza disciplina de capital e calibragem de payout com a visibilidade de ramp-up operacional a partir de 2026, sem perder de vista o capital de giro do agronegócio.
Estrategicamente, a proposta dialoga com um 2025 de pico de investimentos e preparação de ativos. Ao devolver caixa de forma seletiva enquanto mantém o foco no pipeline industrial e logístico, a empresa reforça que a remuneração ao acionista é compatível com a fase do ciclo. Em outras palavras, trata-se de um sinal de normalização de geração de caixa em meio ao avanço das obras, sem desviar do cronograma de rampa de capacidade. Essa cadência está desenhada no Novo Ciclo 2024–2030, com capex concentrado em 2025 e ampliação industrial.
Do lado financeiro, a previsibilidade de liquidez e o alongamento de passivos contribuíram para abrir espaço ao payout sem comprometer o cronograma de investimentos. A companhia estruturou captação securitizada com prazos casados à maturação dos projetos e diversificação de indexadores, desenhada justamente para atravessar o pico de desembolsos com conforto de caixa e governança reforçada. Essa ponte de funding foi consolidada com o encerramento da oferta de CRA de R$ 500 milhões em três séries, que ampliou a base de investidores e deu visibilidade à execução até 2030.
Para frente, o pagamento proposto se alinha à trajetória operacional projetada: 2025 como ano de transição e 2026 como início da captura de margens do ecossistema de etanol, DDG, óleo e maior crushing, com intensificação de trading e logística pelo Norte. Ao compartilhar resultados antes do ramp-up pleno, a administração reforça confiança na geração de caixa futura e na capacidade de monetização comercial nas novas geografias. Esse desenho foi explicitado no guidance atualizado para 2026 e expansão ao Arco Norte, que detalhou volumes e marcos de verticalização.







