A PetroReconcavo reportou produção média de 25,1 mil boe/dia em novembro (+1% m/m), com Bahia em 12,7 mil boe/d (+2,7%) e Potiguar em 12,5 mil boe/d (-0,7%). O avanço veio de workovers no polo Remanso e Miranga, do retorno de poços reparados e dos primeiros efeitos de estabilização do programa de reinjeção em Tiê. No Potiguar, o petróleo subiu com intervenções em Riacho da Forquilha, embora falhas em poços de alta vazão em Sabiá tenham limitado o ritmo; no gás, houve normalização após flush de workovers e falhas pontuais. O destaque estratégico segue sendo Tiê: desde o fim de setembro, o volume injetado supera o produzido, iniciando a repressurização do reservatório — movimento antecipado pelo marco da repressurização de Tiê, quando a injeção superou a produção pela primeira vez, que busca reduzir a variância de curto prazo e sustentar platôs à frente.

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Diferentemente de outubro, quando paradas de manutenção, a falha do poço TIE-001 e ajustes de fase em Tiê pressionaram a produção consolidada, novembro mostra recomposição gradual com contribuição mais ampla de workovers e normalização operacional. O retrato deste mês indica que a companhia está conseguindo isolar eventos pontuais (falhas de alta vazão e desconexões) enquanto mantém a agenda de intervenções para preservar platôs, especialmente no Bahia, onde a reinjeção começa a surtir efeito no óleo e o gás capturou ganhos de Miranga. Esse contraste reforça que a volatilidade recente é efeito de transição planejada, não de mudança estrutural da tese, como se viu na produção de outubro, marcada por manutenções e pela virada de fase em Tiê, e ajuda a ler o +1% de novembro como um passo de normalização dentro de um ciclo de repressurização e integridade de ativos.

Este resultado consolida a estratégia de médio prazo de estabilizar platôs combinando subsuperfície, intervenções e integração de infraestrutura. No óleo, a rota marítima e a diversificação de escoamento reduzem descontos e ampliam previsibilidade do netback; no gás, o gasoduto de Tiê e a co-gestão do midstream no RN diminuem risco de curtailment e diluem custos. Em campo, a sequência de workovers, a entrada de horizontais e a repressurização em Tiê são os vetores que ancoram o fator de recuperação nos próximos trimestres. Esse desenho já havia sido organizado na apresentação institucional do 9M25, que estruturou a estabilização de platôs e a integração de infraestrutura, conectando hedge, alongamento de dívida e priorização de CAPEX em injeção e completions para reduzir a variância de curto prazo sem abrir mão do crescimento disciplinado.

A coerência entre execução operacional, infraestrutura e disciplina financeira foi recentemente reconhecida externamente, sugerindo que a companhia possui lastro para atravessar a fase de ajustes de pressão com menor volatilidade de caixa. A integração do midstream potiguar, a operação do gasoduto de Tiê e a rota marítima no óleo reforçam a resiliência de margens enquanto Tiê amadurece a repressurização. Ao mesmo tempo, a política de hedge e o perfil de endividamento alongado mitigam choques de preço e câmbio. Essa leitura foi cristalizada na afirmação do rating AA.br pela Moody’s Local Brasil, que reconheceu a disciplina financeira e a integração do midstream, apontando que a produção estável com baixa alavancagem é o gatilho para um ciclo de maior previsibilidade — direção corroborada pelo avanço operacional observado em novembro.

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