A apresentação institucional da PetroReconcavo (RECV3), divulgada em 18 de novembro de 2025, organiza a fotografia do 9M25: produção WI média de 27,0 kboe/d (+3% vs. 2024), R$ 2,5 bilhões de receita, EBITDA de R$ 1,1 bilhão, FCL de R$ 183 milhões e alavancagem em 1,00x. No balanço de ativos, destacam-se reservas 2P de 183,8 MMboe com RRR de 1,7x e PV10 de US$ 2,7 bilhões, além do reforço à integração de infraestrutura: UTG São Roque em operação, gasoduto de Tiê gerando novas receitas, e a UPGN Miranga prevista para 2028. Essa engenharia de resiliência dá continuidade ao eixo de governança e previsibilidade no gás, formalizado pela aquisição de 50% do midstream de gás no RN e JOA com a Brava, que reduziu risco de curtailment e elevou a capacidade de coordenar orçamento, disponibilidade e eficiência das unidades de processamento.
No E&P, a narrativa deixa claro que a estabilidade de médio prazo nasce de um 2025 de transição controlada. Tiê migrou da fase de perfuração para repressurização, com programa de injeção de água em andamento: a produção média foi de 5,1 kboe/d no 1T25 e 4,0 kboe/d no 3T25, um movimento consistente com ajustes de pressão e intervenções que sustentam platôs adiante. Esse redesenho foi ancorado pelo marco da repressurização de Tiê, quando a injeção superou a produção, e se soma a 15 poços perfurados (9 produtores) no 9M25, 180 workovers e o primeiro poço horizontal em completação. Na Bahia, o programa de poços profundos validou zonas de gás com pressão original, sugerindo potencial para destravar novas reservas e melhorar o mix entre óleo e gás.
Logística e comercialização aparecem como o segundo pilar da tese: no óleo, o contrato com a Dislub para tancagem em Pecém (capacidade mínima de ~250 mil bbl/mês, por 13 anos) reduz descontos, amplia rotas e encurta time-to-market ao ser implantado em duas fases. No gás, a operação do gasoduto de Tiê e o roadmap da UPGN Miranga 2028 complementam a malha, enquanto a integração do midstream no RN ajusta o custo total de escoamento à medida que sinergias são capturadas. Esse desenho consolida a estratégia anunciada no 3T25, quando a companhia vinculou eficiência operacional a rotas alternativas por meio do contrato de 13 anos para tancagem e movimentação no Porto do Pecém, integrando monetização de óleo e maior previsibilidade de margens mesmo em períodos de maior manutenção e ajustes de pressão.
Financeiramente, a disciplina permanece explícita: 35% do petróleo e 89% do gás estão protegidos por hedge/preços fixos, com ~57% da produção de 2026 já coberta; o Brent médio do 3T25 foi de US$ 69,13/bbl, com receita líquida de US$ 58,38/boe e margem de US$ 29,3/boe. O breakeven cash cost em US$ 29,1/boe reflete royalties, midstream, G&A e lifting cost, e ainda não captura integralmente os efeitos da integração de Guamaré. Na estrutura de capital, a 3ª debênture de R$ 500 milhões (swap dolarizado a 5,66% a.a., duration de 5,2 anos) sustenta o ciclo de investimentos em integridade, injeção e completions, enquanto a alavancagem em 1,00x preserva flexibilidade para acelerar projetos com “novos patamares de custo de perfuração”. Em síntese, a apresentação conecta execução de campo, rotas e hedge a um mesmo objetivo: estabilizar platôs, elevar fator de recuperação e monetizar com menor volatilidade.







