A Moody’s Local Brasil afirmou o rating de emissor AA.br da PetroReconcavo (RECV3) e manteve a perspectiva estável, citando eficiência operacional, custos competitivos apoiados por verticalização onshore, baixa alavancagem, forte cobertura de juros e liquidez robusta. A foto operacional confirma estabilidade: 26,8 mil boe/d nos 12 meses até setembro de 2025, lifting cost de US$ 14,43/boe e margem EBITDA ajustada de 48,5%. No portfólio, a companhia reduziu a dependência de terceiros ao ingressar no midstream de gás no RN e inaugurar a UTG São Roque, além de avançar em rotas de óleo via Pecém e na UPGN Miranga. Esse reconhecimento consolida a agenda de resiliência iniciada com a aquisição de 50% do midstream de gás no RN e JOA com a Brava, que adicionou governança sobre orçamento, manutenção e disponibilidade das UPGNs de Guamaré e mitigou risco de curtailment, reforçando previsibilidade de caixa.

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Do lado financeiro, a agência destacou a política conservadora: desde maio de 2024, três debêntures somaram R$ 2,3 bilhões, alongando a duration da dívida de 1,6 para 3,8 anos e reduzindo o custo médio dolarizado para 6,51%, sem vencimentos de principal até 2028. A alavancagem líquida ajustada ficou em 1,0x, com caixa de R$ 939 milhões (5,4x a dívida de curto prazo) e dívida inteiramente dolarizada via derivativos. Essa disciplina é coerente com a apresentação institucional do 9M25, que mostrou alavancagem em 1,00x e a 3ª debênture dolarizada para sustentar o ciclo de investimentos, conectando hedge, integridade de ativos e investimentos em injeção e completions ao objetivo de estabilizar platôs e reduzir variância de curto prazo.

No eixo operacional-comercial, a Moody’s realça o reforço de liquidez e a menor dependência de infraestrutura de terceiros, pontos amparados pelas novas rotas. A rota marítima no Ceará tende a reduzir descontos logísticos e encurtar o time-to-market, enquanto o gasoduto de Tiê incrementa margens do gás e a integração de Guamaré dilui custos. Esse desenho dá continuidade ao contrato de 13 anos para tancagem e movimentação no Porto do Pecém e à integração do gasoduto de Tiê, pilares que elevam o netback e ancoram previsibilidade de margens mesmo durante janelas de manutenção e ajustes de pressão, em linha com a tese de resiliência reconhecida pela agência.

Por fim, a perspectiva estável repousa em produção e reservas estáveis, hedge que cobre parcela relevante de 2026 e CAPEX focado em eficiência. A própria Moody’s indica gatilhos de elevação caso a produção se aproxime de 30 mil boe/d com alavancagem baixa e liquidez robusta. Nessa direção, a transição de Tiê para repressurização, combinada a workovers e poços horizontais, sustenta a ambição de platôs mais estáveis e maior fator de recuperação, como evidenciado pelo marco da repressurização de Tiê, quando a injeção superou a produção. Em síntese, a afirmação do rating amarra infraestrutura, disciplina financeira e execução de campo em uma trajetória coerente de menor volatilidade e maior previsibilidade de caixa.

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