A Energisa anunciou aumento de capital de R$ 2,7 bilhões por capitalização de reservas de lucros, via bonificação de 10% (1:10) em ações ON/PN e Units, com direito para quem estiver posicionado ao fim do pregão de 27/11/2025. O capital social sobe de R$ 8,1 bilhões para R$ 10,9 bilhões e o número de ações passa de 2,289 bi para 2,518 bi (88,7 mi ON e 140,2 mi PN), sem diluição e com potencial de ampliar a liquidez. Papéis bonificados terão os mesmos direitos dos atuais, exceto os dividendos deliberados nesta data; custo atribuído de R$ 12 por ação e R$ 60 por Unit; frações negociáveis de 03/12 a 02/01 e sobras em leilão na B3. O anúncio ocorre na mesma janela em que a companhia aprovou dividendos de R$ 320,5 milhões, com data-base em 26/11 e ex em 27/11, combinando remuneração ao acionista e otimização da estrutura de capital.
Estratégicamente, a bonificação converte parte do lucro acumulado em capital, reforça o patrimônio e evita saída de caixa, preservando recursos para CAPEX regulado em redes e transmissão e para a agenda de gás/biometano. O movimento consolida a disciplina financeira construída ao longo de 2025, sustentada por execução operacional e normalização da demanda, evidenciadas no 3T25 robusto, com EBITDA ajustado recorrente de R$ 2,07 bilhões, lucro de R$ 648 milhões e alavancagem em 3,2x. Ao elevar o número de papéis em circulação, a Energisa tende a melhorar o giro e a formação de preço, mantendo coerência com a estratégia de liability management e a preferência por instrumentos que preservam o balanço e a previsibilidade do caixa.
Do ponto de vista de mercado, a maior disponibilidade de ações e Units costuma reduzir spreads, facilitar o fracionamento de ordens e atrair novos fluxos, sobretudo nas Units, que concentram liquidez. Esse reforço de liquidez torna-se ainda mais relevante diante do calendário de negociação de frações e do leilão de sobras, mecanismos que ampliam a circulação de papéis e ajudam a calibrar preços. Nesse contexto, ganha relevância a participação relevante da Squadra, que alcançou 9,64% do capital via Units, indicando apetite institucional e uma base acionária ativa — cenário em que a bonificação tende a potencializar o interesse e a rotatividade sem alterar o controle nem diluir participações.







