O SUSEP de setembro/25 mostra a Porto Seguro com R$ 1,31 bi em prêmios diretos no Auto (+0,8% a/a) e sinistralidade de 57,9% (-0,2 p.p. vs. set/24). No 9M25, o Auto soma R$ 12,01 bi em prêmios diretos (+3,2%) e R$ 11,92 bi em prêmios ganhos (+0,3%). O setor, porém, cresceu 12,0% no mês (ex-Porto +16,3%), enquanto o comissionamento da Porto ficou em 22,3% (mercado: 21,5%), sinalizando disputa por canais. A sinistralidade da Porto segue abaixo da média setorial no mês (57,9% vs. 61,8%), mas o acumulado do Auto piora para 59,0% (vs. 57,5% em 9M24). Essa fotografia dá continuidade ao reporte SUSEP de agosto, que cobrou convergência da sinistralidade do Auto e aceleração de prêmios ganhos, reforçando a normalização ainda lenta, com crescimento abaixo do setor e comissionamento resiliente.
Nos ramos não-auto, o ritmo segue mais forte: Patrimonial + Transportes atingiu R$ 0,29 bi em prêmios diretos (+12% a/a) com sinistralidade de 30,3%, e Vida R$ 0,15 bi (+11,8%) com sinistralidade de 37,3%. Esse mix volta a amortecer margens enquanto o Auto ajusta preço e risco, em linha com o desempenho do 3T25, que mostrou pressão residual no Auto e avanço de Patrimonial e Vida. Ao mesmo tempo, a competição por canais mantém comissionamentos elevados, o que exige execução fina em precificação, subscrição e gestão de frequência/severidade para sustentar a rentabilidade, enquanto o detalhe dos efeitos não recorrentes ficará para o release IFRS, como o próprio relatório ressalta.
Em termos de metas, os números de setembro permanecem acima da banda de sinistralidade indicada para o core de seguros. O guidance atualizado em 12 de novembro, com alvo de sinistralidade do core em 55% ± 1 p.p., pede continuidade da disciplina de preço, seleção de risco e ganho de eficiência para que a sinistralidade mensal e o acumulado voltem a convergir. Com o comissionamento do Auto em 22,3% no mês (22,1% no 9M25), acima do ano anterior e do setor, a calibragem comercial precisa ser equilibrada ao ritmo de prêmios ganhos, lembrando que os dados SUSEP (GAAP regulatório) podem divergir do IFRS que será detalhado apenas no próximo release trimestral.
No pano de fundo estrutural, a companhia montou alavancas para reduzir custos de atendimento, padronizar SLAs e ganhar escala em dados e regulação de sinistros. A incorporação das assistências na Porto Serviço e acordo de acionistas, base para eficiência operacional, tende a encurtar tempos de resposta e capturar sinergias com o ecossistema de seguros. Com a pressão competitiva em canais e a necessidade de convergência técnica no Auto, essa integração pode ajudar a estabilizar o índice de sinistralidade e preservar margens, enquanto os ramos não-auto continuam dando suporte ao resultado consolidado.







