A CPFL Energia reportou lucro líquido de R$ 1,4 bi no 3T25, alta de 3,3% ante o 3T24, e EBITDA de R$ 3,2 bi, avanço de 0,3%. O capex somou R$ 1,7 bi no trimestre (+19,2%), sendo R$ 1,4 bi em distribuição e R$ 215 mi em transmissão; no ano, R$ 4,4 bi, com meta de alcançar R$ 6,5 bi até o fim de 2025. Na distribuição, o PDD/Receita recuou para 0,91% (1,22% no 3T24), apesar da queda de vendas de 0,6% por clima mais ameno e avanço da geração distribuída; o EBITDA do segmento cresceu 11,4%. Na geração eólica, o curtailment do ONS atingiu 37,3% da geração potencial, com impacto de R$ 219 mi no trimestre e R$ 348 mi no ano. A alavancagem encerrou em 2,19x Dívida Líquida/EBITDA, com dívida líquida de R$ 28,7 bi e caixa de R$ 5,9 bi. A Fitch atribuiu rating corporativo global BBB, três níveis acima do soberano. Em transmissão, a companhia venceu o Lote 3 do leilão 04/2025, com início previsto para 2030 e RAP próxima de R$ 81 mi.

Continua após o anúncio

Este resultado consolida a combinação de disciplina financeira e estabilidade de governança que a empresa buscou preservar desde a sucessão no Conselho com continuidade de agenda em 16/10/2025. A manutenção de alavancagem em 2,19x, mesmo com capex acelerado e ventos adversos na geração, reforça o foco em eficiência na distribuição, onde a queda do PDD e a melhora do EBITDA indicam qualidade de crédito e execução operacional. Em paralelo, o rating global BBB ilumina um custo de capital competitivo para sustentar modernização de rede, digitalização e projetos regulados sem comprometer a previsibilidade ao acionista.

No vetor de crescimento regulado, a evolução em transmissão dá sequência à tese de sinergias no Sul, inaugurada pelo arremate do Lote 3 no Leilão 4/2025 (PR/RS). A combinação de CAPEX estimado em cerca de R$ 1,1 bi, RAP de aproximadamente R$ 81 mi e cronograma até 2030 exige engenharia de custos, padronização de obras e gestão de suprimentos para capturar valor em 30 anos de concessão. Ao ancorar expansão em ativos regulados com execução disciplinada, a companhia diversifica fluxos, mitiga volatilidade hidrológica e consolida um pipeline que conversa com sua base instalada e equipes já presentes na região.

Em termos de resiliência de caixa, o acordo que encerrou a arbitragem com a AES Guaíba II em 06/11/2025 reduz incertezas legais e adiciona recursos não recorrentes, ampliando flexibilidade de alocação em um ano pressionado por curtailment eólico. Ao diminuir ruídos de contingências e simplificar o balanço, a empresa preserva foco na execução e na manutenção de métricas de crédito compatíveis com o rating global. Essa previsibilidade também dialoga com o compromisso de remuneração, sustentado pelo cronograma escalonado de proventos (quinto pagamento em 27/10/2025), que reforça a disciplina de capital em paralelo ao avanço do capex e à queda estrutural da inadimplência na distribuição.

Publicidade
Tags:
CPFL EnergiaCPFE3