Com lucro de R$ 204 mi no 3T25, avanço da margem bruta do desenvolvimento (30,7% vs. 30,2% no 2T25 e 26,6% no 3T24) e EBITDA de R$ 523 mi, a MRV sinaliza consolidação da recuperação operacional e de rentabilidade ao longo de 2025. Este resultado também contextualiza os efeitos temporários já antecipados nas prévias operacionais do 3T25 sobre o descasamento produção x repasse e cheques regionais, enquanto a queda da alavancagem para 1,1x Net Debt/EBITDA reforça a disciplina financeira.
Como a companhia explica, interrupções no fluxo de cheques regionais e mudança de critério da CEF geraram um descasamento de R$ 93 mi na geração de caixa e retenção adicional de R$ 31 mi na conta transitória, além de 1.400 unidades não transferidas frente ao 2T25. A leitura estratégica é que o problema é transitório e operacional, não de demanda: as pré-vendas líquidas de R$ 2,445 bi superaram lançamentos (R$ 2,355 bi), confirmando tração comercial e sustentando a tendência de margens mais altas.
Nos negócios adjacentes, a URBA registrou lucro de R$ 19 mi com receita de R$ 147 mi, enquanto a Luggo manteve investimentos em Pampulha, Samambaia do Sul e Mauá. O movimento dá continuidade ao cronograma indicado e reforça a estratégia de diversificação com receita recorrente, preparando terreno para maior contribuição de locação à geração de caixa conforme os ativos entrem em operação plena.
Na Resia (EUA), a MRV reiterou o plano de desinvestimentos de cerca de US$ 800 mi até 2026, com aproximadamente US$ 149 mi já vendidos, e iniciou a venda do projeto estabilizado Tributary. Essa reciclagem de capital acelera a desalavancagem e realoca recursos ao core de habitação de interesse social no Brasil, um vetor que ajuda a explicar a queda de 40% do Net Debt/EBITDA em 12 meses.
Para 2025, o guidance indica receita líquida entre R$ 9,5 bi e R$ 10,5 bi, margem bruta realizada de 29% a 31%, lucro entre R$ 650 mi e R$ 750 mi e geração de caixa de R$ 500 mi a R$ 700 mi. A administração projeta reverter o gap entre produção e transferências a partir do 4T25; se os gargalos dos cheques regionais forem plenamente resolvidos e o ritmo de repasses se mantiver, a empresa indica possibilidade de alcançar a extremidade inferior do guidance de lucro.







