Nesta quarta-feira, 12 de novembro de 2025, a Neoenergia (NEOE3) informou que, cumpridas as condições precedentes, concluiu o fechamento da transação com a Ambev por meio da subsidiária Neoenergia Renováveis. O acordo combina a aquisição, pela Ambev, de 5,73% do capital de Oitis 3, 5,73% de Oitis 5 e 5,73% de Oitis 7 com a assinatura de contrato de compra e venda de energia, estruturando a “autoprodução de energia elétrica por equiparação” a partir de fonte eólica. Do Complexo Eólico de Oitis (566,5 MW de capacidade instalada), 55 MW médios serão destinados à Ambev até 2033. A companhia destacou que a comunicação se dá em continuidade ao Fato Relevante de 18 de julho de 2025, reforçando a lógica de contratos de longo prazo ancorados por cliente corporativo e monetização de fatias minoritárias nas SPEs.
Estratégicamente, o movimento combina reciclagem parcial de capital em geração com travamento de receita via PPA, reduzindo volatilidade e preservando optionalidade no portfólio. Ele também dialoga com a agenda de decisões mais ágeis e com o foco em negócios de retorno previsível após a simplificação de governança com maior controle da Iberdrola e foco em reciclagem seletiva de portfólio, que prometia acelerar estruturas como parcerias com offtakers corporativos, PPAs de longo prazo e desinvestimentos táticos em participações minoritárias. Ao usar o mecanismo de autoprodução por equiparação, a Neoenergia ancora demanda, melhora previsibilidade de caixa e cria uma via eficiente de funding para a base de Oitis, ao mesmo tempo em que o cliente corporativo captura benefícios regulatórios e reduz o custo estrutural de energia.
Operacionalmente, a transação reitera a gestão ativa do risco de geração: ao atrelar parte da produção a um consumidor âncora e compartilhar participação nas SPEs, a companhia reduz exposição a preços e sazonalidade de vento, convertendo variabilidade em fluxo contratual de longo prazo. Essa diretriz é consistente com as prévias operacionais do 3T25 que destacaram decisões de portfólio para reduzir a volatilidade da geração — como a venda de Baixo Iguaçu e o enquadramento da Termopernambuco no Contrato de Capacidade — e com a leitura de que o core da tese está em redes, enquanto a geração passa por otimizações seletivas. Em Oitis, a presença de um comprador de perfil investment grade adiciona robustez de crédito, melhora a bancabilidade e sustenta a disciplina financeira do complexo.
No plano de alocação de capital, o arranjo com a Ambev se encaixa na narrativa corporativa de priorizar redes e rodar ativos de forma seletiva na geração. Com CAPEX concentrado em distribuição e transmissão e a busca por conversão de RAB em EBITDA, a empresa vem usando contratos de longo prazo e parcerias para destravar valor em geração sem diluir foco no regulado. Essa rota já estava mapeada no factbook 2024 que reforça o foco em redes (CAPEX 98% em distribuição e transmissão) e a rotação seletiva de ativos, indicando que movimentos como a autoprodução por equiparação em Oitis funcionam como ponte: monetizam participações, estabilizam receitas e liberam capacidade financeira para sustentar o ciclo de investimentos em redes com retorno regulado e previsível.







