A RaiaDrogasil (RADL3) encerrou o 3T25 com lucro líquido ajustado de R$ 402 milhões (+19,3%), receita bruta de R$ 12,1 bilhões (+12,7%) e EBITDA ajustado de R$ 909 milhões, com margem de 7,5% (7,9% no varejo). O varejo cresceu 15,5% (ex-4Bio), compensando a queda de 16,8% da 4Bio, enquanto o market share nacional atingiu 16,8% (+0,8 pp) com ganhos em todas as regiões. No digital, a receita avançou 62% para R$ 3,0 bilhões, alcançando 26,7% de penetração e 97% das entregas em até 60 minutos. A rede fechou o trimestre com 3.453 farmácias (88 aberturas e 6 encerramentos), 111,6 milhões de atendimentos, NPS de 91 e 51,0 milhões de clientes ativos em 12 meses. Operacionalmente, lojas maduras cresceram 7,8%, 4,8 pp acima do reajuste CMED (3,1%) e 2,6 pp acima do IPCA (5,2%), apoiadas por leve efeito calendário (+0,3 pp). A margem bruta ficou em 27,4% (-0,2 pp sobre base que teve captura não recorrente de ICMS no 3T24), as despesas de vendas foram 17,3% da receita bruta (+0,2 pp a/a, com normalização de pessoal em -0,2 pp) e as gerais e administrativas 2,6% (diluição estrutural de 0,4 pp). O fluxo de caixa livre somou R$ 647,8 milhões, com geração total de R$ 558,3 milhões; dívida líquida ajustada de R$ 3,38 bilhões (1,1x EBITDA LTM) e ciclo de caixa melhor em 3 dias.

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Este resultado consolida a continuidade de uma estratégia que equilibra expansão acelerada, eficiência e retorno ao acionista, coerente com a distribuição de JCP de 30/09/2025, que reiterou a disciplina de alocação de capital, TIR real acima de 20% nas aberturas e o guidance de 330–350 lojas em 2025. O ritmo de 88 aberturas no trimestre, os ganhos de market share e a maior penetração digital reforçam a execução omnicanal e a escalabilidade operacional descritas naquela diretriz, sustentando geração de caixa mesmo em fase intensiva de investimentos.

Do ponto de vista de qualidade do crescimento, a expansão das lojas maduras acima de CMED e IPCA indica ganho de produtividade no core varejo, enquanto a diluição recorrente de G&A (-0,4 pp) e a estabilidade de alavancagem em 1,1x respaldam a tese de crescimento disciplinado. A variação de margem bruta reflete principalmente efeito-base do 3T24 (ICMS não recorrente), o que sugere resiliência subjacente. O declínio da 4Bio, por sua vez, mantém o tema de mix e funding como ponto de atenção para 2026, ao passo que a aceleração do digital (+62% e 26,7% de penetração) reforça a diferenciação logística e a capilaridade como alavancas de share.

Para a próxima etapa, o “RD Saúde Day” em 01/12 deve detalhar a “Estratégia 2026”, clarificando prioridades entre aceleração de aberturas no 4T para cumprir o guidance anual, monetização do ecossistema de saúde, ganhos adicionais de produtividade por loja e o papel do canal digital na expansão de margem. Em paralelo, acompanhar a dinâmica de preços frente ao CMED, a normalização do ciclo de caixa e eventuais ajustes na 4Bio será crucial para avaliar a sustentabilidade do crescimento com retorno, mantendo a coerência com o equilíbrio entre expansão e proventos indicado anteriormente.

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