Com lucro líquido de R$ 51,6 mi no 3T25 (+258,2% t/t; -13,5% a/a), receita de R$ 423,3 mi e EBITDA de R$ 73,6 mi (margem de 17,4%), a Kepler Weber acelerou no comparativo trimestral: margem EBITDA +5,2 p.p. vs 2T25, embora -3,8 p.p. vs 3T24. O trimestre concentrou 45% do EBITDA dos 9M25, com receita +36,1% t/t e -3,6% a/a. No mix, Portos e Terminais e Internacional compensaram parcialmente a fraqueza em Agroindústrias e Fazendas; a Argentina ganhou tração (contratos +30% a/a; 17% das vendas internacionais nos 9M25, ante 3% em 2024). No trimestre, 15% da receita veio do mercado externo. Esse desempenho reforça a virada iniciada no meio do ano e dialoga com os pilares estratégicos e a recuperação operacional ressaltados na marcação do Kepler Day, que priorizam maior recorrência, automação/serviços e expansão geográfica seletiva.
Diferenças de ritmo entre segmentos explicam o resultado: Portos e Terminais cresceu 97,4% a/a, refletindo investimentos em infraestrutura de escoamento; Negócios Internacionais avançou 23,6%, com aumento de embarques e carteira no exterior; Reposição & Serviços subiu 10,8%, elevando a participação de receitas mais previsíveis. Já Fazendas (-3,2%) e Agroindústrias (-30,6%) seguiram pressionadas pela dinâmica do agro no Brasil. O mix mais defensivo e tecnológico ajuda a sustentar margens mesmo em um cenário de demanda doméstica heterogênea e câmbio volátil, em linha com o conteúdo esperado do Kepler Day — portfólio mais recorrente, integração de automação/serviços, expansão seletiva e disciplina de capital com recompras, que busca reduzir a ciclicidade e aumentar a qualidade dos ganhos.
Na eficiência, SG&A seguiu controlado: despesas gerais e administrativas somaram R$ 23,6 mi (queda nos 9M25 e no trimestre), despesas com vendas R$ 31,2 mi (+21,3% a/a) e outras receitas/despesas líquidas foram positivas em R$ 13,7 mi por créditos tributários. O resultado financeiro ficou em +R$ 2,3 mi. No caixa, a companhia gerou R$ 58,4 mi operacionalmente, pagou R$ 25,0 mi em dividendos e JCP, investiu R$ 15,5 mi em capex e trocou NCE por CDCA, mantendo amortizações semestrais com a IFC; o capital de giro consumiu R$ 22,5 mi. O ROIC LTM chegou a 21,0%. Esses dados reforçam a execução de um framework de alocação que combina crescimento orgânico, internacionalização e retorno ao acionista, sustentando margens de 17,4% mesmo com receita anual estável.
Para o 4T25, a administração antecipa estabilidade operacional e “margens equilibradas”, sem emitir guidance formal. A mensagem dá continuidade à comunicação estruturada com o mercado e deve ser detalhada na entrevista do CEO sobre os números do 3T25 e a sustentabilidade de margens, que conecta a melhora de previsibilidade de receita e diluição de custos observadas desde meados do ano à construção de um ciclo menos sujeito à volatilidade do agro.







