A Neoenergia (NEOE3) reportou avanço consistente no 3T25 e no acumulado de 2025: lucro de R$ 924 milhões no trimestre (+10% a/a) e de R$ 3,6 bilhões no 9M25 (+28% a/a). O EBITDA caixa somou R$ 2,8 bilhões no 3T25 (+13%) e R$ 8,2 bilhões no 9M25 (+6%), enquanto a receita líquida cresceu 10% no trimestre e 8% no ano. A margem bruta também avançou (10% no 3T; 8% no 9M). O EBITDA total foi de R$ 3,388 bilhões no 3T25 e R$ 10,316 bilhões no 9M25; o resultado financeiro foi negativo em R$ 1,512 bilhão no 3T25 e R$ 4,448 bilhões no 9M25. Operacionalmente, a energia injetada atingiu 21.283 GWh (+2,3%) e a distribuída 18.508 GWh (+0,8%), com a base de clientes em 16,9 milhões (+2%). Os investimentos chegaram a R$ 7,6 bilhões no 9M25, elevando a RAB para R$ 42,7 bilhões; a alavancagem ficou em 3,52x (12m) e o rating (S&P) permaneceu AAA. Esses volumes e a resiliência em redes já vinham sendo antecipados pelas prévias operacionais do 3T25, que apontavam energia injetada +2,3% e distribuída +0,8%.

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O desempenho do EBITDA caixa refletiu, sobretudo, reajustes positivos de Parcela B nas distribuidoras e despesas controladas, reforçando a tese de redes como motor dos resultados. No trimestre, a companhia destacou eventos regulatórios que sustentam previsibilidade: na Neoenergia Elektro, a Parcela B foi reajustada em +1,30% a partir de 27/08/25, e em Brasília o efeito tarifário ganhou tração a partir de 22/10/25, em linha com a estratégia de remuneração de CAPEX e disciplina de custos. Esse arranjo protege o EBITDA regulatório, reduz a volatilidade diante de encargos e pressões de Parcela A e explica a manutenção de margens mesmo com resultado financeiro negativo. A calibragem em Brasília está detalhada no reajuste tarifário aprovado em outubro, com Parcela B +8,3% e recomposição de custos, consolidando a continuidade do ciclo de redes e a captura de retornos em eficiência e qualidade.

No campo concessório, o período marcou a assinatura do termo aditivo que prorroga a concessão da Neoenergia Pernambuco até 30/03/2060, movimento que converte previsibilidade regulatória em horizonte de investimento de longo prazo. Com R$ 4,8 bilhões dos R$ 7,6 bilhões investidos no 9M25 direcionados à distribuição e uma RAB já em R$ 42,7 bilhões, a companhia pavimenta um ciclo plurianual de CAPEX em digitalização, combate a perdas e qualidade, com remuneração via Parcela B e menor risco de fim de contrato. Essa peça estratégica já havia sido destacada na prorrogação da concessão da Neoenergia Pernambuco por 30 anos e agora dialoga diretamente com as métricas do 3T25, ao sustentar crescimento orgânico das redes e a expansão regulatória que ancora o EBITDA caixa.

Por fim, a agenda societária tende a acelerar a execução da estratégia. A simplificação de governança com o maior controle da Iberdrola favorece decisões ágeis de alocação de capital, reciclagem seletiva de portfólio e foco em negócios regulados — contexto no qual a Neoenergia aumentou a participação na UHE Corumbá para 85% e mantém o rating AAA mesmo com alavancagem de 3,52x, apoiada por ativos de retorno previsível. Esse alinhamento foi delineado no contrato para compra da fatia da Previ pela Iberdrola, que simplifica a governança e reforça o foco em redes, previsto para fechamento no 4º tri, e ajuda a explicar por que os resultados do 3T25 consolidam a estratégia de expandir a base regulatória e converter CAPEX em EBITDA e lucro de forma disciplinada.

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