Na audiência pública do CADE desta sexta-feira (17/out/2025), a Petz (PETZ3) apresentou um retrato transparente do ciclo 2024-2025: prejuízo líquido de R$ 28 mi em 2024 (versus R$ 251 mi estimados no IPO), receita bruta de R$ 4,0 bi (vs R$ 4,4 bi no IPO) e margem bruta de 39,1% (vs 42,3% no IPO), refletindo compressão de margens diante da competição crescente — em especial dos marketplaces — e desempenho abaixo do esperado de lojas novas. A análise interna também indica perda de 0,5 p.p. de market share em 2024, enquanto a Superintendência-Geral do CADE aprovou sem restrições, em junho/25, a operação com a Cobasi, apontando baixo risco concorrencial e potencial de sinergias para preços. O material referencia relatório do BTG Pactual que descreve um setor mais desafiador no pós-pandemia, com poder de precificação limitado e margens em queda, contexto no qual a fusão é apresentada como alavanca para recuperar competitividade e participação.
Ao conectar esses pontos, a narrativa estratégica da companhia é de correção de rota: reconhecer o desvio em relação às estimativas do IPO, estabilizar a operação e usar a associação com a Cobasi para capturar sinergias de compras e despesas. Em paralelo, a companhia já vinha sinalizando melhora operacional e disciplina de capital ao longo de 2025, evidenciadas pela virada operacional iniciada no 3T24 e eficiência no 1S25, quando houve expansão de margens, normalização logística, avanço do omnichannel e geração de caixa cobrindo investimentos — elementos que ajudam a explicar o racional de integrar plataformas para ganhar escala e retomar share via preço.
No eixo de governança e capital, o reequilíbrio da base acionária, com maior dispersão e uso prudente de instrumentos financeiros por acionistas relevantes, caminhou em paralelo ao rito regulatório e reforçou a busca por previsibilidade enquanto a empresa ajusta o mix de crescimento, maturação de lojas e marcas próprias. Esse pano de fundo é coerente com o diagnóstico competitivo exibido hoje — queda de valor de mercado, margens pressionadas e setor mais duro — e indica que a fusão pretende acelerar uma trajetória já em curso de eficiência e foco em rentabilidade, ancorada em sinergias e poder de compra ampliado, conforme detalhado na redução de exposição de Sergio Zimerman e aprovação irrestrita da Superintendência-Geral do CADE em junho/25. Em síntese, o movimento atual consolida a estratégia de recuperar competitividade por escala e execução, conectando resultados recentes, ajuste de expectativas do IPO e o marco regulatório favorável.







