O Tribunal do CADE aprovou, nesta sexta-feira (5/9/2025), o ato de concentração referente à incorporação das ações da BRF pela Marfrig, adicionando um marco regulatório decisivo ao cronograma da operação. Este movimento consolida a trajetória societária iniciada em maio e referendada pelos acionistas em agosto, quando houve a aprovação da incorporação pela Marfrig com 43,8% dos votos. A consumação, porém, segue condicionada ao trânsito em julgado da decisão e às demais condições previstas no Protocolo, culminando na Data de Fechamento, conforme lembrado pelas companhias. Com essa etapa, o processo avança do desenho societário para a reta final das condições regulatórias e operacionais.
Além do crivo antitruste, a BRF estruturou o pós-assembleia para reduzir riscos jurídicos e padronizar obrigações de quem optasse por sair do capital antes do closing. Em 29/08, a companhia detalhou as regras de tributação aplicáveis ao direito de retirada na incorporação, com prazos, documentação e alíquotas para não residentes, além de esclarecer que poderia convocar nova assembleia caso o volume de reembolsos se tornasse relevante. Na prática, essa padronização protege o cronograma, mitiga disputas sobre base de cálculo e assegura previsibilidade aos perfis de investidor, encerrando incertezas antes do início efetivo da integração.
No eixo de governança e estabilidade decisória, ajustes na base acionária também contribuíram para um fechamento mais fluido. Em 02/09, vieram as comunicações sobre a SALIC e o Citi – com a primeira migrando influência para exposição econômica via derivativos e o segundo detalhando posição física –, arranjo que preserva neutralidade de voto e reduz fricção durante a reestruturação. Essa calibragem foi explicitada nas comunicações sobre SALIC e Citi e a neutralidade de voto durante a reestruturação, e se soma ao uso prévio de instrumentos financeiros no ecossistema da operação, compondo um quadro acionário funcional para atravessar assembleias remanescentes e etapas regulatórias até o closing.
Com a aprovação em Tribunal, a agenda tende a migrar para integração e captura de sinergias da plataforma multiproteínas. A BRF chega a essa fase com geração de caixa forte, desalavancagem e execução comercial consistentes – atributos evidenciados pelos números do 2T25 e a organização do cronograma de implementação. Em paralelo, eventos como a emissão de debêntures de longo prazo e o upgrade de rating reforçam a capacidade financeira para sustentar capex, harmonizar passivos e acelerar ramp-up de sinergias no pós-fusão, reduzindo o custo de capital e ampliando o espaço para investimento em marcas, mix e mercados internacionais.







