A BRF (BRFS3) reportou no 2T25 lucro de R$ 735 milhões, receita líquida de R$ 15,365 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 2,502 bilhões (margem de 16,3%). O fluxo de caixa livre somou R$ 842 milhões e a alavancagem líquida caiu para 0,43x. Em relação ao 2T24, a receita avançou sobre R$ 14,930 bilhões, a margem bruta subiu de 26,3% para 26,6%, e, embora o EBITDA tenha ficado abaixo do 2T24 e 1T25, a companhia sustenta volumes recordes para um segundo trimestre. No Brasil, o EBITDA ajustado foi de R$ 1,324 bilhão com margem de 16,4% e destaque para processados (+7,4% a/a e +7,0% t/t). No Internacional, o EBITDA foi de R$ 1,168 bilhão (margem de 17,3%), apesar de bloqueios temporários às exportações, compensados por 11 novas habilitações e avanço no GCC com a linha Sadia Fresh na Arábia Saudita. Na visão gerencial (ex-hiperinflação da Turquia), o lucro foi de R$ 719 milhões e a margem EBITDA de 16,2%.

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Diferentemente do 2T24, quando a expansão de margem veio sobretudo da queda de insumos, o 2T25 mostra resiliência combinando ganho de mix em processados, disciplina comercial e capturas do programa BRF+ (R$ 208 milhões no trimestre). Mesmo com compressão de 140 bps vs. 1T25, o semestre encerra como o melhor da história (EBITDA de R$ 5,3 bilhões e lucro de R$ 1,9 bilhão), reforçando geração de caixa e desalavancagem estrutural. Esse avanço dialoga diretamente com o upgrade de rating da S&P para BB+ em 7 de agosto, que reconheceu a estabilidade financeira alcançada e tende a reduzir o custo de capital, ampliando a capacidade de capturar oportunidades no ciclo.

No plano societário, os números chegam às vésperas da fase mais intensa de sinergias com a Marfrig, mencionada pela administração como próximo vetor de valor. O movimento dá continuidade à governança do processo, que avançou em agosto com a aprovação da incorporação pela Marfrig com 43,8% dos votos, consolidando o racional de uma plataforma multiproteínas e sinergias estimadas relevantes. A partir desse marco, a companhia passou a cumprir as condições precedentes e organizou o cronograma de implementação, preservando transparência e alternativas aos investidores. Em linha com essa dinâmica e o rito societário, logo depois foi aberto o início do período de direito de retirada para acionistas dissidentes, etapa que confere previsibilidade à execução e encerra incertezas antes do início efetivo da captura de sinergias operacionais e comerciais.

Do lado financeiro, o ritmo de geração de caixa no 1º semestre e a alavancagem de 0,43x se combinam a uma gestão ativa do passivo, importante para sustentar capex, inovação em processados e a expansão internacional (novas habilitações e GCC). Esse arranjo de capital foi reforçado pela 7ª emissão de debêntures de R$ 2 bilhões com vencimentos até 2045, que alonga prazos, suaviza amortizações futuras e se alinha ao momento de consolidação operacional, criando espaço para que a BRF atravesse o processo de combinação de negócios preservando flexibilidade financeira e foco na rentabilidade.

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