A Ambipar (AMBP3) reportou no 2T25 prejuízo de R$ 134,1 milhões, receita líquida de R$ 1.770,7 milhões e EBITDA de R$ 585,7 milhões, com margem de 33,1%. Na comparação anual, a receita cresceu 25,2% e o EBITDA 34,2%; em relação ao 1T25, os avanços foram de 1,8% e 6,1%. O fluxo de caixa operacional somou R$ 431,9 milhões e o fluxo de caixa antes de financiamento foi de R$ 103,0 milhões. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 469,6 milhões. Por segmento, a Environment registrou R$ 1.031,9 milhões (+53,7% vs. 2T24) e a Response R$ 738,8 milhões (estável). A dívida líquida encerrou em R$ 5.999,1 milhões, com alavancagem de 2,56x (DL/EBITDA anualizado) e prazo médio de 5,3 anos; caixa e aplicações de R$ 4,7 bilhões. O CAPEX foi de R$ 271,9 milhões (15,4% da receita). Segundo a companhia, as metas de alavancagem e margem do Ambipar Day 2024 estão virtualmente atingidas, com foco contínuo em integrações, geração de caixa e evolução de governança.
Este desempenho reforça a tração operacional — receita e EBITDA em alta — enquanto o lucro líquido permanece pressionado pelo custo financeiro, um padrão já observado no 1T25. Naquele momento, a administração também sinalizou disciplina na comunicação de cenários futuros com a retirada das projeções da parceria com a Dow em 23 de junho de 2025, movimento que acompanha a consolidação operacional e reduz o risco de desalinhamento entre guidance e execução. Isso ajuda a explicar por que, mesmo com avanço sequencial do EBITDA e robusto fluxo de caixa operacional, o resultado final segue afetado pelos encargos financeiros, ao passo que a gestão privilegia previsibilidade, desalavancagem e eficiência. O ritmo de investimentos (15,4% da receita) e a alavancagem de 2,56x indicam que a agenda de produtividade convive com crescimento orgânico e integração de aquisições, preparando o terreno para capturar sinergias sem perder controle financeiro.
Do lado da governança e simplificação societária, o 2T25 também reflete a continuidade de uma postura mais prudente de execução. O cancelamento da assembleia de reorganização em 30 de junho explicitou a decisão de concluir etapas críticas das migrações ESG e Response antes de avançar, reforçando o compromisso com conformidade e integração – elementos que dialogam diretamente com a diferença de ritmo entre os segmentos no trimestre. A Environment acelerou fortemente; já a Response permaneceu estável, sugerindo uma fase em que capturar sinergias, padronizar processos e consolidar bases operacionais pesa tanto quanto expandir receita. Ao destacar integrações, geração de caixa e governança como prioridades, a companhia alinha a execução operacional ao desenho societário, reduzindo fricções de implementação e sustentando margens.
A remoção de incertezas regulatórias também contribui para dar continuidade à estratégia. A decisão da CVM de 29 de julho que afastou a exigência de OPA reduz o risco de evento societário e estabiliza a estrutura acionária, condição importante para manter o custo de capital sob controle e perseguir as metas de alavancagem e margem ressaltadas no Ambipar Day 2024. Com caixa robusto, dívida alongada (5,3 anos) e foco em integração, a companhia cria as condições para converter a performance operacional consistente do 1S25 em evolução do resultado líquido nos próximos ciclos.







