No 1T26, a Jalles Machado reportou prejuízo de R$ 14,0 milhões, mesmo com expansão de receita (Bruta: R$ 574,5 milhões, +23,2%; Líquida: R$ 505,1 milhões, +25,9%) e EBITDA Ajustado de R$ 269,6 milhões (+10,5%). A margem de EBITDA Ajustado recuou para 53,4% (vs. 60,8% no 1T25), pressionada pela menor moagem (-10,0%) e TCH (-8,4%), efeitos remanescentes da estiagem da safra anterior. Em resposta, a empresa intensificou o açúcar no mix (47,7% vs. 36,7%), elevou a produção total (+12,5%) e VHP (+193,9%), e registrou recorde diário em Santa Vitória; nas vendas, ATR comercializado +15,3%, receita de orgânico no exterior +133,6% e etanol anidro +50%. Esse desempenho antecede o pleno efeito das tarifas dos EUA sobre o orgânico e se conecta à guidance revisada em 13 de agosto sobre o impacto tarifário no açúcar orgânico e a reclassificação de 15–20 mil t para cristal no mercado interno.
Em termos de trajetória, o trimestre inaugura a execução da safra 2025/26 com ênfase em flexibilidade de mix e eficiência operacional. A maior participação de açúcar e o salto de VHP sinalizam conversão da capacidade instalada em produção efetiva, enquanto o recorde em Santa Vitória sugere ganhos industriais. Com caixa de R$ 1,51 bilhão (2,7x a dívida de curto prazo), a companhia preserva opcionalidade para estocar, comercializar e alternar entre açúcar e etanol conforme preços e restrições de mercado, fortalecendo a narrativa de consolidação construída no ciclo anterior. Esse movimento dá continuidade à estratégia para a safra 2025/26 pautada na consolidação e otimização dos ativos, suportada por captação via debêntures e maior capacidade de estocagem e comercialização.
Para investidores, o foco recai sobre a recuperação agrícola projetada pela administração com a entrada das áreas irrigadas e os efeitos das chuvas no início da safra, bem como sobre a execução do mix diante das barreiras ao orgânico nos EUA. Diferentemente do 4T25, quando a rentabilidade foi favorecida pela captura de preços superiores no etanol na entressafra, o 1T26 foi guiado por açúcar (incluindo VHP) e por defesa de margens via flexibilidade operacional. Monitorar produtividade (moagem e TCH), spreads entre orgânico e cristal no Brasil, volumes destinados ao mercado externo e eventuais atualizações de guidance será determinante para avaliar a velocidade da recuperação nos próximos trimestres.







