A MRV Engenharia (MRVE3) reportou um 2º trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 125 milhões na incorporação, ROL de R$ 2,525 bilhões, margem bruta de 30,2% e EBITDA de R$ 467 milhões. Em base consolidada ex-efeitos de swaps, a geração de caixa foi positiva em R$ 138 milhões. A companhia destacou que as unidades não repassadas no trimestre reduziram a ROL em R$ 145 milhões, pois, na Venda Garantida, a venda só é contabilizada após o repasse à CEF. As vendas líquidas somaram R$ 2,685 bilhões, os lançamentos chegaram a R$ 3,449 bilhões e a produção foi de 9.872 unidades. As despesas comerciais foram pressionadas por campanhas de branding (efeito que não deve se repetir no 3T25). No financeiro, a cessão de recebíveis Pro Soluto gerou resultado líquido negativo de R$ 36 milhões, ainda que tenha adicionado 0,7 p.p. não operacional à margem bruta. A dívida líquida no Brasil encerrou em R$ 2,454 bilhões, com alavancagem de 1,27x DL/EBITDA LTM, bem acomodada frente aos covenants.

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Este resultado consolida a virada operacional iniciada desde o início do ano, com aumento sequencial de margem bruta (29,6% no 1T25 para 30,2% no 2T25) e avanço de EBITDA, apesar do atraso de repasses em programas habitacionais estaduais. O próprio trimestre já havia sinalizado a reversão para geração positiva de caixa de R$ 136,4 milhões no 2T25, apesar dos impedimentos estaduais, e a administração reforça que a normalização dos repasses – já observada no Rio Grande do Sul – tende a reduzir a defasagem entre vendas e reconhecimento de receita. A retirada de despesas de branding no 3T25 também contribui para um perfil de margens mais limpo, enquanto a operação de incorporação manteve forte tração comercial, sustentando o pipeline de obras e a diluição de custos fixos.

No eixo de capital e desalavancagem, a MRV vem combinando disciplina financeira com ações táticas: a cessão Pro Soluto e a mudança de critério da CEF pressionaram pontualmente a geração de caixa, mas a relação DL/EBITDA permanece sob controle e dentro dos limites de covenants. Em paralelo, a estratégia de foco no Brasil é viabilizada pela alienação ordenada de ativos da Resia, cuja base foi estabelecida com o impairment de US$ 144 milhões na Resia e guidance de geração de caixa de US$ 493 milhões até 2026. O plano de desinvestimento, atualizado em julho com meta de aproximadamente US$ 800 milhões até 2026 e cerca de US$ 124 milhões já realizados, reforça a capacidade de reduzir dívida estrutural sem comprometer a operação doméstica, que apresenta ganhos de margem e crescimento de lançamentos.

A execução desse desinvestimento segue um roteiro com marcos claros. Parte relevante do caixa já havia sido materializada com o recebimento de US$ 62 milhões com a venda do Dallas West e do terreno Weatherford, transações que agora se somam às alienações de Hutto Square, Marvida, Palmetto e Forresta Village (este último vendido por US$ 7,2 milhões em julho). No front de passivos, a liquidação em 5 de agosto do CRI lastreado na 157ª emissão de debêntures (R$ 600 milhões) sinaliza gestão ativa do perfil de dívida, ao mesmo tempo em que a companhia preserva folga de covenants e prepara a base para um 3T25 com menor pressão de despesas comerciais e melhor conversão de vendas em receita via normalização dos repasses.

Do lado de mercado de capitais, o interesse institucional reforça essa trajetória. A participação relevante de 5,07% do Goldman Sachs via derivativos financeiros em julho atua como validação externa do turnaround, em linha com a confiança demonstrada pela gestão em alocação de capital e foco no core business no Brasil. Para frente, a narrativa operacional da MRV combina: normalização dos repasses, continuidade do ciclo de lançamentos/vendas, captura de margem com menor gasto de branding e aceleração do caixa com a agenda de desinvestimento da Resia – um conjunto de vetores que sustenta expansão de retorno e redução de risco.

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MRV Engenharia e ParticipaçõesMRVE3