A MRV Engenharia e Participações (MRVE3) registrou geração de caixa de R$ 136,4 milhões no segundo trimestre de 2025, revertendo o fluxo negativo observado nos períodos anteriores. O resultado representa uma melhora significativa de R$ 518 milhões em relação ao trimestre anterior, quando a empresa apresentou consumo de caixa de R$ 381,4 milhões.
A recuperação ocorreu apesar dos desafios enfrentados com programas habitacionais estaduais, que impactaram a geração de caixa em R$ 77 milhões no período. A empresa deixou de contabilizar vendas de 1.324 unidades, equivalentes a R$ 310 milhões, devido a atrasos nos repasses causados por impedimentos nos programas estaduais. Sem esses impactos, a geração de caixa do trimestre teria alcançado R$ 88 milhões.
As vendas líquidas da MRV Incorporação totalizaram R$ 2,685 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 23,9% em relação ao primeiro trimestre do ano. Os lançamentos da divisão somaram R$ 3,449 bilhões, alta de 19,4% na mesma comparação, evidenciando o aquecimento das operações da maior construtora residencial da América Latina.
A produção de unidades também apresentou evolução positiva, com 9.872 unidades produzidas no período, aumento de 4,4% versus o trimestre anterior. O desempenho operacional foi impulsionado pela normalização gradual dos processos internos e pela retomada do ritmo de construção em diferentes regiões de atuação.
A empresa destacou que espera uma breve solução para os impedimentos nos programas habitacionais estaduais, sendo que o programa do Rio Grande do Sul já foi regularizado e voltou a repassar as unidades que estavam bloqueadas. A perspectiva é de normalização progressiva dos fluxos de repasse, o que deve beneficiar a geração de caixa nos próximos trimestres.
A reversão para geração positiva de caixa consolida a estratégia de foco no mercado brasileiro iniciada com o plano de desinvestimento da Resia nos EUA, que projeta gerar US$ 493 milhões até 2026. Este movimento estratégico de concentração de recursos no mercado doméstico já havia sido materializado com o recebimento de US$ 62 milhões da venda dos ativos Dallas West e Weatherford, fortalecendo a capacidade de investimento da companhia no Brasil.
O resultado positivo valida a confiança da gestão expressa na aprovação do programa de recompra de até 6 milhões de ações em dezembro passado, demonstrando que a estratégia de alocação de capital e foco no mercado brasileiro está gerando os resultados esperados. A combinação entre desalavancagem da operação americana e fortalecimento da operação doméstica evidencia a execução bem-sucedida do plano estratégico da construtora.







