O 2T25 do Grupo Vamos (VAMO3) trouxe a combinação de receita líquida recorde (R$ 1.411,7 mi) com pressão no resultado final: EBITDA consolidado de R$ 896,3 mi (+1,6% a/a), EBIT -8,9% e lucro líquido de R$ 83,0 mi (-64,3%). Na locação, a receita de serviços somou R$ 1.002,1 mi e o EBITDA de serviços R$ 862,7 mi (margem de 86,1%). Comercialmente, novos contratos vieram com TIR média de 21,70%, yield de 2,91% e prazo médio de 43 meses; no 1S25, o capex contratado alcançou R$ 2.390 mi, apoiado por R$ 578 mi em extensões. A alavancagem para covenants ficou em 3,4x (limite 3,75x), com prazo médio de 4,1 anos e cobertura de 80% da dívida até dez/27. A companhia atualizou o guidance 2025 para capex implantado total de R$ 4,1–4,7 bi, EBITDA de R$ 3,5–3,9 bi e lucro líquido de R$ 300–450 mi, reforçando foco em rentabilidade e menor capex líquido — movimento que consolida o guidance 2025 revisado em agosto, já orientado por disciplina de capital e maior giro de ativos.

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Os números mostram uma execução alinhada a esse redesenho: recorde em Seminovos (R$ 324,3 mi de receita, margem bruta de 7,5% e 1.415 unidades vendidas; participação ainda de 4,5% no mercado de usados até 10 anos) ajuda a financiar crescimento com menor consumo de caixa, enquanto a estratégia operacional prioriza elevar ocupação e manter TIR/yield robustos nos contratos. Diferentemente de um ciclo de expansão acelerada do capex, a Vamos combina vendas de ativos (R$ 1,3–1,5 bi), extensões (R$ 800–900 mi) e alavancagem dentro de 3,1–3,4x, reforçando prudência de liquidez — postura coerente com decisões recentes de eficiência no mercado de capitais, como o encerramento do contrato de formação de mercado com o BTG Pactual.

Do lado do acionista, a execução desse plano de seletividade e rotação de portfólio ganha respaldo institucional, fator importante para atravessar um cenário macro mais restritivo sem abrir mão de parâmetros de covenants. A presença de investidor relevante atua como selo de confiança na tese de locação e na capacidade de monetizar a frota via Seminovos, ao mesmo tempo em que sustenta a narrativa de longo prazo durante a convergência às novas faixas anuais de EBITDA e lucro. Nesse sentido, destaca-se a entrada da Fourth Sail/Tordesilhas com 4,45% do capital, que reforça a base de suporte à estratégia de foco em rentabilidade, maior ocupação da frota e uso de extensões para reduzir capex líquido ao longo de 2025.

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