Na divulgação do 2T25, a Automob (AMOB3) registrou prejuízo de R$ 38,7 milhões, apesar do avanço operacional: receita líquida de R$ 3,087 bilhões (+1,2% a/a), EBITDA de R$ 115,9 milhões (+42,5% a/a) e margens em alta (bruta em 14,6% e EBITDA em 3,8%). O resultado líquido foi pressionado por despesas financeiras líquidas de R$ 139,5 milhões (+81,4% a/a), refletindo maior alavancagem média (+54% no endividamento líquido) e CDI mais elevado. Esse desempenho reforça a agenda de eficiência sob nova liderança e se insere na reestruturação executiva iniciada com o novo CEO e a mudança na diretoria em junho, quando a companhia já enfatizava a necessidade de endereçar o custo da dívida e aprimorar a governança financeira.
Operacionalmente, o varejo cresceu com 23 mil veículos vendidos (+14% a/a), destaque para usados (+32,1% a/a; margem de 9,3%) e evolução do F&I (+45,2% a/a, já 9,2% do lucro bruto). Em pesados, foram 1.981 unidades (+28,8% a/a; margem de 20%), enquanto Agro e Máquinas, apesar de margem de 3,7%, reduziram o estoque pago em R$ 67 milhões no trimestre (R$ 122 milhões no 1S25), ainda com saldo excedente de ~R$ 250 milhões. A alavancagem ficou em 3,7x e o estoque pago total em R$ 1,2 bilhão. No front de eficiência comercial, a companhia inaugurou um centro de preparação, funilaria e pintura em Guarulhos (SP) e mantém reformas em 14 lojas, com impacto transitório nas vendas. Diferentemente do 1T25, quando o prejuízo foi menor, o 2T25 trouxe aceleração de margens e EBITDA, mas o custo financeiro continuou predominando — coerente com a prioridade declarada de “retorno à lucratividade sustentável”.
No eixo de mercado de capitais, a consolidação societária iniciada no 1º semestre seguiu seu curso com o leilão das frações do grupamento 50:1, consolidando a reorganização acionária, movimento que moderniza a base acionária e sustenta a narrativa de ajuste estrutural combinada à nova governança. Com a teleconferência em 12 de agosto, o mercado deverá buscar clareza sobre três vetores-chave dessa trajetória: redução do custo da dívida e da alavancagem, normalização dos estoques pagos (especialmente em Agro) e captura de eficiência das reformas e do novo centro de preparação para sustentar margens e acelerar a volta à lucratividade.







