No 2T25, a Even (EVEN3) reportou lucro de R$ 49 milhões (ex-Melnick) e ROE anualizado de 13,7% no 6M25, com geração de caixa de R$ 43,3 milhões que ajudou a reduzir a dívida líquida de R$ 245,7 milhões para R$ 202,4 milhões. Em seis meses, o lucro atingiu R$ 130 milhões, superando os R$ 126 milhões do 6M24 apesar da queda de 32% na receita para R$ 907 milhões e do recuo de 36% no lucro bruto para R$ 189 milhões. O desempenho reforça a disciplina operacional observada desde o 1T25 (lucro de R$ 81 milhões), com foco em geração de caixa e desalavancagem.
Na frente comercial, as vendas líquidas somaram R$ 688 milhões no 6M25 (ante R$ 770 milhões no 6M24) e R$ 442 milhões no 2T25, equilibradas entre estoque (R$ 224 milhões) e lançamentos (R$ 218 milhões). Os distratos recuaram 13% versus o 1T25, para R$ 52 milhões, totalizando R$ 120 milhões no semestre (R$ 185 milhões no 6M24), o que sinaliza maior qualidade de carteira e menor fricção comercial. No trimestre, a empresa entregou dois empreendimentos em São Paulo (VGV de R$ 390 milhões; 870 unidades) e fechou o período com estoque a valor de mercado de R$ 2,933 bilhões, sendo apenas 12% concluídos — potencial para captura de margem conforme a evolução das obras.
O mix reforça a estratégia de valor: o Casa Madalena (VGV total de R$ 684 milhões; participação Even de R$ 515 milhões; 80 unidades; tíquete médio de R$ 8,6 milhões) e o hotel Faena, em São Paulo, com VGV total de R$ 356 milhões e R$ 178 milhões na parcela da Even, saíram do papel no 2T25 — este último, 100% vendido. O movimento dá continuidade ao posicionamento em luxo/alto padrão, que já representa 59% do banco de terrenos de R$ 3,2 bilhões, ancorado nas zonas Sul e Oeste da capital.
Na estrutura de capital, a dívida bruta foi de R$ 1,126 bilhão e o caixa de R$ 923 milhões, resultando em dívida líquida de R$ 202 milhões (9,3% do patrimônio de R$ 2,178 bilhões). A geração de caixa operacional alcançou R$ 67,4 milhões no trimestre e R$ 209,7 milhões no ano, mesmo após R$ 24,1 milhões em recompra de ações — evidência de disciplina alocativa. Esse avanço ajuda a contextualizar a entrada do BTG Pactual WM como acionista relevante em 6 de agosto de 2025 (7,38% do capital), com posição declarada de investimento, interpretada como voto de confiança na tese de desalavancagem e no foco em projetos de maior valor agregado.
Para frente, a companhia indica os lançamentos Bay e Plenitude e cerca de 1.500 unidades a serem entregues nos próximos 12 meses. Se mantidos o ritmo de distratos em queda, o mix premium e a geração de caixa, a Even tende a sustentar ROE de dois dígitos mesmo com base de receita mais enxuta que em 2024 — sinal de que a estratégia privilegia rentabilidade e capital disciplinado sobre volume.







