A Aeris (AERI3) registrou prejuízo líquido de R$ 174,0 milhões no segundo trimestre de 2025, representando alta de 84,1% em comparação ao prejuízo de R$ 94,5 milhões do trimestre anterior. A fabricante de pás eólicas também apresentou EBITDA ajustado negativo de R$ 18,0 milhões, com margem de -7,4%, revertendo o resultado positivo de R$ 11,4 milhões do 1T25.
A deterioração dos indicadores reflete os desafios enfrentados pelo setor eólico brasileiro, marcado pelo excesso de oferta de energia renovável impulsionado pela expansão da geração solar distribuída. A receita operacional líquida somou R$ 242,1 milhões no trimestre, alta de 15,1% ante o período anterior, mas a margem bruta ficou negativa em 1,4%, pressionada pelo aumento dos custos unitários de produção.
A companhia encerrou o trimestre com apenas quatro linhas de produção ativas, todas classificadas como maduras, enquanto outras quatro permaneceram desativadas devido à baixa demanda de mercado. O cenário resultou em maior custo fixo por unidade produzida e menor produtividade das linhas mais antigas, comprometendo a rentabilidade operacional.
Como ponto positivo, a Aeris concluiu em maio o reperfilamento de aproximadamente 90% de seu passivo financeiro, incluindo refinanciamento com bancos comerciais e repactuação de debêntures. A medida garante liquidez para os próximos anos, com a dívida bruta totalizando R$ 1,69 bilhão no final do 2T25. A empresa também não está mais sujeita ao monitoramento de covenants financeiros após a renegociação, consolidando um processo mais amplo de reestruturação que visa fortalecer a posição da companhia no mercado desafiador atual.
Para os próximos trimestres, investidores devem acompanhar a evolução da demanda por contratos de longo prazo (PPAs) no setor eólico e os possíveis impactos das tarifas de 50% anunciadas pelo presidente americano Donald Trump sobre produtos brasileiros, embora a companhia tenha informado que ainda não identificou efeitos concretos da medida.







