A Camil Alimentos (CAML3) registrou lucro líquido de R$ 66,0 milhões no primeiro trimestre de 2025, queda de 15,9% ante o mesmo período do ano anterior. A receita líquida totalizou R$ 2,7 bilhões, recuo de 7,3% na comparação anual, impactada pela pressão nos preços de commodities e menor volume de vendas no mercado brasileiro.
O EBITDA da companhia atingiu R$ 233,1 milhões, queda de 8,4% em relação ao 1T24, mas a margem EBITDA manteve-se praticamente estável em 8,7%, apenas 0,1 ponto percentual abaixo do ano anterior. Sequencialmente, houve melhora significativa, com crescimento de 20,2% ante o quarto trimestre de 2024, confirmando a recuperação operacional após o prejuízo de R$ 25 milhões registrado no 4T24.
O principal desafio veio das operações no Brasil, onde a categoria de alto giro (grãos e açúcar) sofreu com a redução dos preços de mercado do arroz e comportamento mais cauteloso dos varejistas. O volume consolidado recuou 2,9% para 507,7 mil toneladas, com queda de 13,6% no alto giro brasileiro.
Contudo, as operações internacionais apresentaram desempenho robusto, com crescimento de volume de 24,4% para 168,0 mil toneladas, impulsionado por maiores exportações no Uruguai e aumento dos volumes no Equador. A receita internacional cresceu 6,1% para R$ 754,7 milhões.
A companhia acelerou seus investimentos, com Capex de R$ 119,9 milhões no trimestre, alta de 90,6% ante o 1T24. Os recursos foram direcionados principalmente para a nova planta de grãos em Cambaí (RS) e para a nova termoelétrica. O endividamento líquido sobre EBITDA dos últimos 12 meses subiu para 4,1 vezes, contra 3,3 vezes no ano anterior.
Entre os destaques do período, a Camil lançou as cápsulas de café União compatíveis com o sistema Nespresso, ampliando seu portfólio premium. A empresa também integrou pelo terceiro ano consecutivo o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 e aprovou pagamento de juros sobre capital próprio de R$ 25 milhões, mantendo a política de remuneração aos acionistas iniciada em junho mesmo durante período de volatilidade operacional.
Os resultados positivos do trimestre validam a estratégia de retenção de talentos implementada pela empresa, que em junho aprovou planos de stock options limitados a 4% do capital para administradores e empregados, sinalizando foco na manutenção de equipes-chave durante a recuperação operacional. Para os próximos trimestres, investidores devem acompanhar a evolução dos preços de commodities, especialmente arroz, o desempenho das operações internacionais e o progresso dos investimentos em capacidade produtiva. A conclusão da entrada no Paraguai também permanece como catalisador potencial para o crescimento.







