A BRF (BRFS3) e a Marfrig divulgaram nesta quinta-feira, 15 de maio de 2025, fato relevante conjunto informando a assinatura do protocolo de incorporação das ações da BRF pela Marfrig, criando uma empresa global de alimentos com plataforma multiproteínas.

Na operação, os acionistas da BRF (exceto a própria Marfrig) receberão 0,8521 ações ordinárias da Marfrig para cada ação da BRF. Com a conclusão da incorporação, a BRF se tornará uma subsidiária integral da Marfrig, que pretende mudar sua denominação social para MBRF Global Foods Company S.A.

As companhias identificaram sinergias significativas com a operação, incluindo aumento de receitas e redução de custos no montante estimado de R$485 milhões por ano, decorrentes principalmente de oportunidades de cross-selling e otimizações na cadeia de suprimentos.

Adicionalmente, as empresas projetam redução de despesas de aproximadamente R$320 milhões anuais, resultantes da consolidação da estrutura comercial, logística e corporativa. A combinação dessas eficiências deve proporcionar uma otimização fiscal estimada em R$3 bilhões a valor presente líquido.

O protocolo prevê a distribuição de dividendos antes da conclusão da operação: R$3,52 bilhões pela BRF e R$2,5 bilhões pela Marfrig. Acionistas dissidentes que exercerem direito de retirada não farão jus a essas distribuições.

As assembleias gerais extraordinárias para aprovação da operação já foram convocadas para 18 de junho de 2025, sendo a da BRF às 9h e a da Marfrig às 11h. Os custos totais estimados da incorporação são de aproximadamente R$24 milhões.

Para os acionistas dissidentes da BRF, o valor de reembolso pelo direito de retirada será de R$9,43 por ação ou, opcionalmente, R$19,89 por ação (conforme cálculo baseado no artigo 264 da Lei das S.A.). Para os acionistas da Marfrig, o valor de reembolso será de R$3,32 por ação.

A operação visa consolidar a presença das companhias como força dominante no mercado global de alimentos, permitindo expansão estratégica para novos mercados, diversificação de portfólio e maior resiliência contra riscos de sazonalidade e variáveis macroeconômicas. A fusão potencializa a estratégia de internacionalização da BRF, que recentemente adquiriu uma fábrica na China e investiu US$ 160 milhões na Arábia Saudita.

A junção das empresas acontece em um momento financeiro positivo para a BRF, que havia concluído emissão de debêntures de R$ 1,25 bilhão para otimização de seu perfil de endividamento e vinha sendo reconhecida por sua solidez financeira, com a Fitch elevando sua perspectiva de rating para positiva. Além disso, a BRF recentemente foi incluída no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), demonstrando seu compromisso com práticas ESG antes da fusão.

A operação também marca a consolidação de uma aproximação que já vinha ocorrendo entre as empresas, com executivos transitando entre as companhias, como o caso recente de Heraldo Geres, que havia atuado por 18 anos na Marfrig antes de assumir posição de diretoria na BRF.

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