Oncoclínicas reduz R$ 112,3 milhões em dívida líquida no 4T24
Empresa reporta EBITDA ajustado de R$ 272,1 milhões e registra impairment não-caixa de R$ 796,1 milhões

A Oncoclínicas (ONCO3) divulgou nesta sexta-feira, 28 de março de 2025, seus resultados financeiros do quarto trimestre de 2024, destacando uma redução orgânica de R$ 112,3 milhões na dívida líquida, marcando o segundo trimestre consecutivo de neutralidade ou geração positiva de caixa livre.
A receita bruta atingiu R$ 1,716 bilhão no 4T24, representando um crescimento de 9,2% em comparação ao mesmo período de 2023. No acumulado do ano, a receita bruta totalizou R$ 6,8 bilhões, um aumento de 13,5% em relação a 2023, impulsionado pelo crescimento de 9,0% no volume de procedimentos e reajustes de preços na ordem de 4,4%.
O EBITDA Ajustado do trimestre foi de R$ 272,1 milhões, com margem de 17,4%, praticamente estável em comparação aos R$ 271,7 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. No ano, o indicador somou R$ 1,15 bilhão, crescimento de 1,6% sobre 2023, com margem de 18,5%.
A companhia registrou um ajuste contábil não-caixa e não-recorrente de R$ 796,1 milhões referente ao teste de recuperabilidade (impairment) de ágio pago em aquisições passadas. Segundo o documento, a revisão das expectativas de crescimento para algumas operações foi impactada pelo "ambiente setorial e macroeconômico mais restritivo".
O grupo adotou a partir do terceiro trimestre de 2024 uma política comercial mais conservadora, reduzindo a exposição a fontes pagadoras com prazos de recebimento mais longos, priorizando a geração de caixa em detrimento de margens mais elevadas. Esta estratégia ocorre em paralelo à recente parceria comercial com a Hapvida NotreDame para atendimento oncológico, anunciada nesta semana.
Os procedimentos cresceram 6,2% no último trimestre, atingindo aproximadamente 174,8 mil atendimentos. Na comparação anual, o crescimento foi de 9,0%, totalizando cerca de 692 mil procedimentos em 2024. O ticket médio aumentou 3,4% no trimestre e 4,4% no ano, este último em linha com o reajuste do índice CMED (4,5%).
A alavancagem da empresa, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado anualizado, atingiu 2,8x no final de 2024, mantendo-se controlada em função da geração orgânica de caixa. A provisão para glosas e créditos de liquidação duvidosa (PCLD) retornou para níveis históricos, representando 2,6% da receita bruta.
A Oncoclínicas encerrou 2024 como o maior provedor de tratamento oncológico no setor privado do Brasil, com 148 unidades distribuídas em 44 cidades, incluindo clínicas, laboratórios de genômica e patologia, unidades de diagnóstico e centros integrados de tratamento ao câncer.
Vale destacar que a divulgação dos resultados ocorre em meio a importantes mudanças na estrutura acionária da companhia. Recentemente, as Entidades Centaurus elevaram sua participação para 31,83% do capital social, enquanto o Goldman Sachs reestruturou sua posição de 15,79% através de instrumento derivativo. Além disso, a gestora Latache atingiu 10,19% de participação no final de fevereiro, consolidando um período de movimentações significativas entre os principais acionistas da empresa.
ONCO3: cotação e indicadoresOncoclínicas
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