Porto Seguro reportou R$ 1,24 bi em prêmios diretos de Auto em novembro de 2025 (-5,3% a/a) e sinistralidade de 58,0% (+2,4 p.p.), segundo dados da SUSEP (GAAP setorial). No acumulado de 11M25, o Auto soma R$ 14,58 bi em prêmios diretos (+1,9%) e R$ 14,61 bi em prêmios ganhos (+0,7%). O mercado de Auto, por sua vez, cresceu 5,1% no mês e 6,4% no acumulado. Patrimonial + Transportes avançou 13,2% em nov/25 (sinistralidade de 31,1%) e Vida cresceu 11,1% (sinistralidade de 32,6%), amortecendo a pressão técnica do Auto. Esse quadro dá continuidade ao padrão já apontado no reporte SUSEP de outubro/25, que mostrava crescimento abaixo do setor no Auto e comissionamento resiliente, mantendo a narrativa de normalização gradual do core. Em novembro, o comissionamento do Auto foi 21,8% (21,9% em nov/24) e 22,1% no 11M25 (21,3% em 11M24), sinalizando disputa por canais.

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Operacionalmente, o recuo no Auto frente ao mercado e o comissionamento elevado reforçam a ênfase da Porto em seletividade de risco, ajustes finos de preço e eficiência no ciclo de sinistros, enquanto os ramos não-auto sustentam margens no curto prazo. Em paralelo, a companhia aprofunda o redesenho de canais para equilibrar custo de aquisição e retenção, em um ambiente de maior concorrência e consolidação setorial. Essa frente comercial busca capturar escala com governança — ponto crítico quando a disputa por prêmios exige disciplina — e dialoga com a centralização de assistências e SLAs sob a Porto Serviço. Um passo recente nessa direção foi a transação com a Itaú Corretora para centralizar venda e pós-venda via call center, que tende a diluir custos, qualificar leads e acelerar o pós-venda, criando base para recuperar tração no Auto ao longo de 2026.

À luz das metas, a sinistralidade de 58,0% no Auto ainda está acima do intervalo de 55% ± 1 p.p. indicado pela administração, mas a companhia vem reiterando a convergência técnica com ajustes em subscrição, mix e eficiência. Vale lembrar que os números do SUSEP seguem GAAP setorial e podem divergir do IFRS; efeitos não recorrentes serão detalhados apenas no release trimestral. A disciplina de capital e a previsibilidade de payout permanecem ancoradas na geração de caixa recente, como evidenciado pelo ajuste do JCP por ação em 26/12, que preservou o montante total e reafirmou o guidance atualizado de 12/11. Em síntese, novembro reforça a tese de transição: Auto em normalização gradual, mitigado por Patrimonial e Vida, enquanto a agenda de eficiência e canais prepara o terreno para margens mais estáveis.

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