A Localiza comunicou em 5 de janeiro de 2026 a bonificação de 41.638.625 ações preferenciais, decorrente de aumento de capital de R$ 2,065 bilhões por capitalização de reservas, elevando o capital social de R$ 17,908 bilhões para R$ 19,974 bilhões. A proporção é de 0,0384609533429 PN para cada ON (equivalente a 1 PN para 26 ON), com direito aos acionistas posicionados ao final do pregão de 29/12/2025. As novas PNs são nominativas, escriturais e sem valor nominal; a janela de 30 dias para recomposição de frações vai até 05/02/2026 e, após esse prazo, as sobras serão agrupadas e vendidas em leilões na B3, com rateio proporcional do produto. A bonificação contempla também as ações em tesouraria e segue os procedimentos operacionais da B3, com repasses via custodiante para posições na Central Depositária e crédito via Itaú Corretora para ações registradas no escriturador.

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Na prática, o comunicado executa e detalha as decisões aprovadas na AGE de 29/12 que criou PNs com voto e aprovou a bonificação de 1 PN a cada 26 ON. Ou seja, a companhia está implementando a capitalização de reservas nos termos do art. 169 da Lei das S.A., mantendo a data de corte em 29/12 e o tratamento padronizado de frações. Como deliberado, as preferenciais têm caráter estritamente transitório, são conversíveis 1:1 em ordinárias até 31/12/2028 ou passíveis de resgate por deliberação do Conselho, preservando igualdade de direitos econômicos e fortalecendo o patrimônio líquido sem pressionar o caixa.

Estrategicamente, este passo consolida a engenharia societária construída em dezembro: ao bonificar PNs transitórias lastreadas em reservas, a Localiza adiciona uma válvula de ajuste para calibrar a estrutura de capital conforme o ciclo de compra e venda de frota e a volatilidade de seminovos, preservando governança e liquidez. Esse desenho foi viabilizado pela dispensa excepcional da B3 ao art. 8º do Novo Mercado (17/12/2025), que permitiu a emissão de PNs com voto no próprio segmento e a conversibilidade posterior, mantendo tag along e equalização de direitos. Com isso, a companhia pode resgatar ou converter as PNs quando a relação risco-retorno recomendar, protegendo ROIC e retorno por ação ao longo de 2026–2028.

A movimentação também se alinha ao trilho de retorno ao acionista e flexibilidade financeira avançado no fim de 2025: ao reforçar o patrimônio líquido sem desembolso, a empresa preserva caixa para a renovação de 0 km e mantém espaço para decisões táticas de capital. Nessa mesma direção, destacam-se o JCP de R$ 543,6 mi e o 17º programa de recompra aprovados em dezembro, que, combinados à bonificação, ampliam as alavancas para administrar custo de capital, amortecer eventuais diluições e sustentar previsibilidade de caixa em um cenário de preços de usados ainda volátil.

Em termos de narrativa corporativa, o anúncio de hoje confirma a continuidade de uma estratégia iniciada antes: priorizar previsibilidade e resiliência no balanço, enquanto a operação avança no giro de estoque, reduz exposição a uso severo e integra decisões de frota e desmobilização para proteger margens e ROIC. Essa diretriz já havia aparecido no resultado do 3T25 e disciplina financeira frente ao impacto do IPI, preparando terreno para instrumentos societários que evitam alavancagem desnecessária e reforçam a capacidade de investir sem comprometer retorno.

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