A Localiza (RENT3) fechou o 3T25 com lucro ajustado de R$ 871 mi, receita líquida de R$ 10,7 bi, EBITDA ajustado de R$ 3,5 bi e EBIT ajustado de R$ 2,3 bi. O trimestre incorporou efeitos da redução do IPI (R$ 929 mi antes de impostos; impacto de R$ 613 mi no resultado), ao mesmo tempo em que a receita avançou 10,8% a/a e o ROIC anualizado atingiu 15,4% (spread de 5,3 p.p. sobre o custo da dívida). Parte desse choque regulatório já vinha sendo antecipado e tratado dentro de uma disciplina financeira que incluiu o JCP de R$ 543,4 mi e o reconhecimento do impacto do IPI no 3T25, sinalizando compromisso com previsibilidade de caixa mesmo em ambiente de ajuste nos residuais de seminovos.

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Operacionalmente, o RAC registrou receita de R$ 2,6 bi e EBITDA de R$ 1,8 bi, com margem de 67,7% (67,3% considerando IPI), diária média de R$ 150,1 e utilização de 80,8%. Em GTF, a receita foi de R$ 2,3 bi e o EBITDA de R$ 1,7 bi, margem de 73,4% (73,1% com IPI), apoiada por créditos fiscais; diária média de R$ 104,0 e utilização de 94,9%. A redução da exposição a “uso severo” (para ~20 mil carros, de 31 mil em dez/24) sustenta a melhora de rentabilidade do portfólio. Em Seminovos, houve recorde de 75.473 carros vendidos e queda do SG&A/receita (de 5,6% para 4,8%), apesar do ajuste de R$ 118 mi no valor de livro, refletindo a estratégia de giro e eficiência comercial diante do novo patamar de preços. O ciclo de frota permaneceu disciplinado: 632.267 carros ao fim do período, 77.344 compras e 75.473 vendas, investimento líquido de R$ 1,142 bi e depreciação anualizada compatível com o contexto (ex-IPI: R$ 7.652 no RAC e R$ 8.602 no GTF). Iniciativas digitais como a assistente “Liza” (NPS >85) e a Retirada Digital FAST já escalam a experiência e a produtividade, enquanto a amortização do ágio iniciada em setembro reduz imposto de renda caixa e a gestão ativa da dívida mantém R$ 12,3 bi em caixa, cobrindo dívida de curto prazo e ‘contas a pagar’ a montadoras.

No eixo de alocação de capital, o desinvestimento em ativos adjacentes complementa a estratégia de foco no core e reforça a liquidez para renovar a frota e amortecer a volatilidade de seminovos. A venda da participação na Voll e o foco em core (RAC e GTF) materializam a reciclagem de capital com recebimentos escalonados entre 2026 e 2028, preservando a integração comercial. Em conjunto com a redução de contratos de uso severo e a captura do benefício fiscal do ágio, o 3T25 mostra uma execução coerente: proteger retorno sobre capital, alongar duration da dívida, sustentar margens operacionais e acelerar a digitalização do atendimento para suportar ganhos de eficiência estruturais.

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