A Trisul (TRIS3) aprovou aumento de capital de R$ 476 milhões por capitalização da "Reserva de Investimentos", com emissão de 56 milhões de novas ações ordinárias a serem distribuídas gratuitamente como bonificação. Terão direito os acionistas com posição no fechamento de 12 de dezembro de 2025; as ações passam a ser negociadas ex-direito em 15 de dezembro e o crédito está previsto para 17 de dezembro. Para fins fiscais (art. 10 da Lei 9.249/1995), o custo das ações bonificadas foi fixado em R$ 8,50. As frações poderão ser negociadas entre 18/12/2025 e 18/01/2026, e eventuais sobras serão vendidas na B3, com repasse proporcional do produto líquido, conforme a Lei das S.A. A operação foi aprovada pelo Conselho dentro do capital autorizado e em conformidade com a Lei 6.404/1976 e a Resolução CVM 44/2021.
Na prática, a capitalização da reserva e a bonificação reforçam a estratégia de equilibrar crescimento e retorno ao acionista construída ao longo do segundo semestre. O movimento dialoga com o pagamento de R$ 100 milhões em dividendos aprovado em 13/11/2025, sinalização de confiança na geração de caixa e na disciplina de alocação. Ao converter parte da reserva de lucros em capital social, a companhia preserva caixa, reforça a base patrimonial e cria lastro para o próximo ciclo de lançamentos, num contexto de margens em expansão e execução bimodal (MCMV e alto padrão). Esse pano de fundo foi ancorado pelo resultado do 3T25, com aceleração de receita, lucro de R$ 54,9 milhões e alavancagem operacional, que mostrou balanço saudável, funding casado e tração comercial compatível com um ciclo mais intenso de lançamentos.
Em um setor intensivo em capital, optar por fortalecer o patrimônio via bonificação — sem saída de caixa e de forma pró-rata, preservando a participação econômica dos acionistas — sustenta a previsibilidade de fluxos e a capacidade de executar fases sequenciais de projetos. A padronização de direitos das novas ações e a definição clara das datas (direito, ex e crédito) também reforçam governança e transparência. Em termos estratégicos, a decisão é coerente com a ampliação de ambição para o próximo período, consolidada pela elevação do teto do guidance para lançamentos de até R$ 2,9 bilhões, que já antecipava um 2025/2026 com maior escala e necessidade de uma estrutura de capital robusta para sustentar o pipeline sem comprometer margens.







