Em 1º de dezembro de 2025, a Ambipar (AMBP3) detalhou à B3 um plano de reestruturação de governança e gestão de riscos, com readequação organizacional, demissão de 35 executivos e prazo estimado de conclusão até fevereiro de 2026. A companhia respondeu aos Ofícios 282/2025-SLE e 290/2025-SLE, em contexto associado ao Fato Relevante de 25/09 e a reportagens sobre desligamentos, reiterando aderência ao Regulamento do Novo Mercado. O documento descreve um sistema de gestão inspirado no COSO-ERM, IBGC e ISO 31000, com papéis segregados, ciclo contínuo e avaliação anual de efetividade. A estrutura que estava sob o ex-CFO João Daniel Piran de Arruda foi desmobilizada e está sendo redesenhada para torná-la mais enxuta e eficiente, com organograma ilustrativo sujeito à validação dos órgãos de governança.
Ao formalizar falhas graves na execução de melhores práticas e acoplar um cronograma de readequação com metas e marcos de governança, a Ambipar consolida a virada defensiva iniciada no fim de setembro e judicializada em outubro. O ponto de inflexão foi o ajuizamento da recuperação judicial no Brasil e o Chapter 11 restrito à Response, aprovado após indícios de irregularidades em swaps e a renúncia do antigo CFO, quando a companhia elevou o nível de proteção jurídica, controle de liquidez e disciplina de disclosure. A partir dali, a agenda deixou de ser apenas financeira: o eixo de governança ganhou prioridade, com foco em accountability, linhas de defesa e padronização de processos críticos. A resposta atual aos ofícios da B3 se encaixa nessa trajetória, estruturando a recomposição de competências, segregação de funções e monitoramento contínuo sob métricas reconhecidas de risco.
Na sequência daquele marco, o processamento da recuperação judicial em 30/10 transformou a blindagem cautelar em stay period formal e elevou o sarrafo de governança e fiscalização. Diferentemente do compasso de espera anterior, quando predominava a proteção emergencial, a fase sob RJ exige cadência regulatória, sincronização com auditores e controles internos mais robustos — exatamente o que o plano de reestruturação de riscos agora endereça. O redesenho anunciado (papéis segregados, ciclo de gestão contínuo, métricas de efetividade e revisão anual) alinha a estrutura à exigência de previsibilidade e consistência informacional do Novo Mercado, ao mesmo tempo em que responde a vulnerabilidades identificadas com as demissões e a desmobilização da antiga modelagem. Em termos estratégicos, o que era um conjunto de medidas reativas passa a se organizar como um programa de governança com cronograma, critérios, e validação pelos órgãos societários até fevereiro de 2026.
No front informacional, a companhia já vinha sinalizando reforço de processos e travas de qualidade, como se observou no adiamento do 3º ITR 2025 por impactos da RJ e ajustes decorrentes de mudanças na Diretoria Financeira. A decisão de hoje se conecta a esse padrão: priorizar precisão, rastreabilidade e coerência entre gestão de riscos, auditoria e divulgação, reduzindo retrabalho e assimetrias. Para o investidor, os próximos gatilhos são a validação do novo organograma pelos órgãos de governança, a conclusão da readequação até fevereiro de 2026, a retomada do calendário regulatório com disclosure compatível ao novo perímetro de controles e a aderência entre o plano de RJ e as salvaguardas de governança agora explicitadas. Em conjunto, o movimento tende a diminuir volatilidade informacional, fortalecer a narrativa de continuidade operacional e reconstruir confiança no processo de decisão e fiscalização da companhia.







