No 3T25, a Light (LIGT3) reportou lucro líquido de R$ 33 milhões (-79,3% A/A), receita operacional líquida de R$ 3,631 bilhões (-2,3% A/A) e EBITDA ajustado de R$ 508 milhões. O trimestre foi pressionado por temperaturas mais baixas que reduziram o consumo na Distribuidora, maior custo de compra de energia na Geração (menor GSF e PLD mais alto) e PMSO maior, parcialmente compensados por melhora em contingências e PECLD. Por segmento, a Distribuidora registrou EBITDA de R$ 402 milhões (-8,3% A/A), enquanto Geração & Comercialização somou R$ 103 milhões (-36,1% A/A). Ajustando itens não recorrentes no financeiro, o lucro teria sido de R$ 134 milhões.
Operacionalmente, o mercado na área de concessão recuou 307 GWh (-5,3% A/A), com temperatura média de 21,7 °C e impacto da geração distribuída de 330 GWh (+20% A/A). As perdas não técnicas em 12 meses ficaram em 8.361 GWh (22,8% da carga fio), com indicadores de qualidade em 6,08 horas (DEC) e 2,97 vezes (FEC). Os investimentos avançaram 60% A/A para R$ 472 milhões, sendo R$ 457 milhões na Light SESA e destaque para manutenção de rede (R$ 150 milhões, +156,2% A/A), sinalizando foco contínuo em qualidade e no combate a perdas – pilares que têm amparado a recuperação operacional.
No eixo regulatório, a ANEEL recomendou a renovação da concessão da Light SESA por 30 anos, etapa que vai agora ao MME. Esse avanço dá continuidade directa à recomendação de prorrogação da concessão pela ANEEL, em 4/nov/2025, marco que consolidou o alinhamento regulatório de longo prazo e ancorou a estratégia de recuperação de 2025. Em paralelo, a decisão da CSRF que anulou autuações fiscais de R$ 2,4 bilhões, mencionada naquele contexto, contribuiu para o derisking jurídico-financeiro e para a previsibilidade do ciclo de investimentos.
Financeiramente, a companhia encerrou com caixa de R$ 2,64 bilhões, dívida bruta pró-forma de R$ 7,863 bilhões e dívida líquida pró-forma de R$ 5,221 bilhões (alavancagem de 2,89x DL/EBITDA 12M para covenants), sendo 84% no longo prazo e 61% indexada ao IPCA. Conforme o Plano de Recuperação Judicial, a confirmação da renovação habilita aumento de capital privado de até R$ 1,5 bilhão (mínimo de R$ 1,0 bilhão) em até 90 dias; combinada à conversão de dívidas, a dívida líquida consolidada pode cair para R$ 3,8–4,3 bilhões, reforçando a tese de reequilíbrio financeiro com suporte regulatório.
Em síntese, apesar do trimestre mais fraco por clima e hidrologia (temperatura menor, GSF baixo, PLD alto), os investimentos mais robustos em rede e a visibilidade da concessão indicam continuidade da estratégia anunciada em 2025: elevar qualidade, reduzir perdas e alongar a estrutura de capital. Os próximos marcos – decisão do MME e a execução do aumento de capital – serão determinantes para transformar a melhora regulatória em alavancas de crescimento e resiliência operacional. A conferência de resultados está marcada para 14/11/2025, às 11h (BRT).







