No 3T25, a Locaweb (LWSA3) combinou aceleração operacional com uma limpeza contábil relevante: receita líquida de R$ 387,4 mi (+10,9% YoY; +4,5% QoQ), EBITDA ajustado de R$ 87,0 mi (margem 22,5%) e prejuízo de R$ 287,8 mi decorrente de impacto não caixa. O Commerce cresceu 16,6% (R$ 283,4 mi; EBITDA de R$ 58,1 mi, margem 20,5%), enquanto Beonline/SaaS ficou praticamente estável em receita (R$ 104,0 mi) com EBITDA de R$ 29,0 mi (margem 27,9%). O GMV do ecossistema atingiu R$ 20,3 bi (+16,8% YoY) e o TPV foi a R$ 2,3 bi (+14,9% YoY), com base de assinantes em 204,7 mil (+7,0% YoY). Em caixa, destaque para FCO de R$ 102,9 mi e FCF de R$ 70,5 mi no trimestre (R$ 161,2 mi no 9M25; 14,6% de margem), a maior geração YTD da história da companhia, além de R$ 75,6 mi já desembolsados aos acionistas em 2025 (recompras e dividendos) e proposta de R$ 140 mi adicionais via redução de capital. No produto, a empresa avançou com integrações nativas (TikTok Shop, TEMU), mais de 30 canais e Conta Digital integrada ao ERP.

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O prejuízo líquido é majoritariamente explicável pelo impairment não caixa associado ao ciclo de desinvestimentos, cuja peça mais visível foi o desinvestimento da Wake Creators (Squid) por R$ 45 milhões, com fechamento simultâneo e sem earn-out. O reconhecimento contábil desta operação gerou também ativo fiscal de R$ 117 mi, sem afetar a geração de caixa do trimestre. No front operacional, os números evidenciam continuidade de execução: Commerce segue ganhando tração e monetização, enquanto Beonline/SaaS preserva rentabilidade; o GMV e o TPV aceleram com reforço de canais nativos, e a oferta de serviços financeiros integrados eleva a recorrência. Em portfólio, a carteira corporativa da Nextios teve signing em agosto e prevê closing em novembro, mantendo o vetor de simplificação e foco no core de Commerce e SaaS.

Do lado de capital, a Administração propôs distribuir R$ 140 mi via redução de capital, com pagamento previsto para fev/2026, em linha com a convocação de AGE para restituição de R$ 140 milhões e redução de capital para absorção de prejuízos. Este movimento consolida a estratégia de disciplinar o balanço após o impairment e abre espaço para um fluxo de caixa mais distribuível, sustentado pelo FCF recorde YTD. A combinação de recompras (R$ 47 mi) e dividendos (R$ 28,6 mi) sinaliza equilíbrio entre crescimento e retorno, enquanto a simplificação organizacional tende a reduzir volatilidade de resultados e aumentar previsibilidade.

No pilar de governança, a execução recente dialoga com o reforço do board e a elevação do escrutínio sobre alocação de capital, M&A e foco no core. A eleição de Camilo Cabianca Ramos como conselheiro independente adiciona experiência de Private Equity justamente no momento de rotação de ativos não essenciais e priorização de rentabilidade. Em conjunto, os desinvestimentos, a limpeza contábil, a proposta de devolução de capital e a aceleração operacional formam uma narrativa coerente: crescimento com geração de caixa, portfólio mais enxuto e governança preparada para manter disciplina em ciclos de expansão e inovação.

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