O Grupo Vamos (VAMO3) reportou no 3T25 receita líquida de R$ 1,5 bi (+25,2% a/a; +8,3% t/t), EBITDA ajustado de R$ 895 mi e lucro líquido de R$ 50,4 mi, abaixo dos R$ 184,7 mi do 3T24 e dos R$ 92,8 mi do 2T25. A administração atribuiu a pressão aos maiores custos e despesas de manutenção/preparação de frota e à menor contribuição de Venda de Ativos e Indústria. Ainda assim, a operação de Locação registrou recordes, com ocupação de 85,8% (52.047 ativos) e backlog de R$ 13,0 bi; em Seminovos, houve recordes de volume (+132% a/a) e receita (+87% a/a), com prazo de estoque 0km em 2,4 meses. A dívida líquida caiu para R$ 11,96 bi e a alavancagem recuou a 3,27x; após o trimestre, captações de R$ 2,2 bi (incluindo o primeiro bond) possibilitaram pré-pagamento de R$ 1,3 bi e alongamento do prazo médio para 4,8 anos, sem alterar o custo. O novo guidance 2025 projeta capex implantado de R$ 4,1–4,7 bi, EBITDA de R$ 3,5–3,9 bi, lucro de R$ 300–450 mi e alavancagem de 3,1–3,4x.
Este resultado consolida a virada operacional e de rotação de ativos e veio em linha com o que a companhia havia sinalizado na prévia do 3T25, que antecipava leve redução de margem por manutenção/peças ligadas a retomadas e destacava a aceleração em Seminovos e Locação. Diferentemente do 2T25, quando o efeito da redução de frota ociosa ainda não estava pleno, o 3T25 combinou maior rotação (vendas fortes em Seminovos), ocupação mais alta e redução do prazo de estoque, elementos que aliviam depreciação e despesas financeiras ao longo dos próximos trimestres. A mensagem é de disciplina de capital: crescer com giro, extensões e seletividade comercial para preservar rentabilidade mesmo sob custos de manutenção temporariamente elevados.
Do lado financeiro, a companhia avançou no desenho de passivos com a emissão de US$ 300 milhões em notes 2031, movimento que reduz risco de rolagem, alonga prazos e diversifica a base de funding. Na prática, esse passo pós-trimestre explica o alongamento do prazo médio para 4,8 anos e sustenta a execução do backlog de locação, dando previsibilidade ao capex implantado (0 km, Sempre Novo e extensões) sem pressionar liquidez. O objetivo é transformar a aceleração operacional em geração de caixa recorrente, ancorada por passivos mais estáveis e menos dependentes de janelas locais.
Esse ciclo financeiro-operacional dá continuidade à estratégia de gestão de passivos anunciada em 22 de setembro e dialoga diretamente com o novo guidance: menos capex líquido, foco em rentabilidade e alavancagem dentro do intervalo-alvo. Em termos narrativos, o 3T25 marca a fase em que a tese de rotação (venda de ativos acima das retomadas, extensões e ocupação mais alta) começa a se refletir no balanço por meio de menor alavancagem e prazo alongado, preparando o terreno para estabilização gradual de margens à medida que os custos de manutenção normalizam e o funding mais longo sustenta o crescimento seletivo.







