A Blau Farmacêutica reportou no 3T25 lucro líquido de R$ 106 milhões, alta de 52% versus 3T24, com receita de R$ 475 milhões e margem bruta de 40,6% — oitavo avanço trimestral consecutivo, sinalizando ganho de mix e eficiência mesmo com receita praticamente estável ano a ano (+0,3%) e 2,2% acima do 2T25. O EBITDA recorrente foi de R$ 114 milhões (margem de 24,1%); desconsiderando a provisão da Hemarus (R$ 8 milhões), seria R$ 122 milhões (25,8%). O lucro líquido recorrente somou R$ 72 milhões (R$ 80 milhões ex-Hemarus).

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Por segmento, Hospitalar atingiu R$ 389 milhões (-5,8% a/a), impactado por restrições de capacidade e menor exposição ao canal público, enquanto Varejo+Estética+Plasma avançou para R$ 86 milhões (+42,3% a/a). O impulso em Estética reflete o redesenho comercial do Botulift®, ampliando capilaridade sem inflar estrutura. Esse vetor dá continuidade ao reposicionamento estratégico iniciado com a troca de distribuidor do BOTULIFT no canal privado anunciada em setembro, ao mesmo tempo em que o turnaround da Bergamo foi concluído, com a margem do negócio no patamar do consolidado.

O resultado financeiro positivo de R$ 47 milhões refletiu juros e variação cambial ligados ao desinvestimento da Prothya, além do efeito da desalavancagem (dívida líquida de R$ 197 milhões; 0,4x) e do funding direcionado via FINAME captado em setembro (R$ 51 milhões). Com capital de giro de R$ 964 milhões (54,5% da receita LTM), a companhia reforça o colchão para a fase de validação de novas linhas e para P&D. O ciclo Prothya, que também suaviza pressões de curto prazo na linha financeira, foi endereçado com a conclusão do desinvestimento na Prothya e reconhecimento do ganho financeiro, liberando foco e caixa para projetos industriais e biológicos.

No front operacional, o CAPEX de R$ 117 milhões no trimestre acelera a expansão e a centralização fabril: novas linhas em Blau São Paulo entram em operação a partir do 1T26, com etapas adicionais ao longo de 2026; na frente de portfólio, a Nano Cannula (agulhas) estreia no 1S26 e o pipeline de anticorpos monoclonais avança. Essa disciplina de execução vem acompanhada de retorno ao acionista, compatível com a geração operativa e o baixo endividamento, como visto no JCP do 3º trimestre de 2025, que equilibra investimentos críticos com previsibilidade de caixa ao investidor.

Em síntese, o 3T25 consolida a virada operacional: margem bruta crescente por oito trimestres, turnaround da Bergamo concluído e preparação de capacidade para 2026. O privado em Estética ganha tração com o novo modelo, enquanto a desalavancagem e os recursos da Prothya reforçam o trilho para capturar escala e ROIC. A normalização do Hospitalar tende a vir com a entrada das novas linhas, sustentando a tese de “mais avanços do que parece” e uma monetização mais robusta entre 2026 e 2027.

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