Na terça-feira, 19 de agosto de 2025, após o fechamento do mercado, a Simpar (SIMH3) e a CS Brasil Holding assinaram contrato com subsidiária integral da Aegea para alienar 100% da Ciclus Ambiental, controladora da Ciclus Rio, por R$ 1,1 bilhão de Equity Value. Considerando dívida líquida de R$ 804 milhões no 2T25, o Enterprise Value soma R$ 1,904 bilhão. O pagamento será em três parcelas (R$ 800 milhões no fechamento; R$ 150 milhões em abril/2026; R$ 150 milhões em abril/2027), corrigidas por 100% do CDI a partir de 1º de agosto de 2025. O fechamento depende de CADE e do poder concedente, e o BTG Pactual atuou como assessor financeiro. O negócio reforça a gestão ativa do portfólio e a disciplina de alocação de capital, em linha com o resultado do 2T25, que combinou EBITDA recorde com disciplina de capital e ajuste de Capex, destacando o foco em retorno sobre o capital e resiliência financeira em um ambiente de juros elevados.
Sob a ótica operacional, a Ciclus Rio opera desde 2010 o maior aterro bioenergético da América Latina, em Seropédica (RJ), com cerca de 10 mil toneladas/dia, captura de mais de 24 mil Nm³/h de biogás e conversão relevante em biometano, além da transformação de chorume em água desmineralizada. Ao migrar para uma plataforma especializada de saneamento, a operação tende a preservar a expansão e capturar sinergias técnicas e comerciais. Este marco também fecha um ciclo: em 2025, a companhia viabilizou a expansão com o financiamento de longo prazo do BNDES (Programa Fundo Clima) para a Ciclus Rio; agora, materializa valor ao integrá-la a um player líder do setor, enquanto realoca recursos conforme prioridades estratégicas. O desenho de pagamento escalonado e a indexação ao CDI suavizam o impacto no caixa de curto prazo e podem apoiar o processo de desalavancagem após o closing.
Do ponto de vista de portfólio, a alienação de um ativo intensivo em capital e de ciclo longo convive com novas avenidas de crescimento em infraestrutura, reforçando a tese de diversificação da Simpar. Em paralelo, a companhia ampliou seu alcance com a primeira concessão internacional da CS Infra, com receitas tarifárias em dólar, movimento que adiciona proteção cambial e potencial de margens crescentes. Em conjunto, a reciclagem de capital na Ciclus e a expansão seletiva em concessões indicam continuidade da estratégia declarada de “gestão ativa de empresas independentes”, priorizando retorno, liquidez e alocação disciplinada de recursos.







