No 2T25, a Simpar (SIMH3) entregou um quadro dual: recorde de EBITDA de R$3,0 bilhões (margem de 28,4%, +2,0 p.p. a/a) e avanço de receita líquida sem construção para R$10,5 bilhões (+4,6% a/a), mas com prejuízo líquido ajustado de R$36,1 milhões diante de despesa financeira líquida de R$2,0 bilhões (+30,6% a/a) em um ambiente de Selic média mais alta (14,67% vs. 10,58% no 2T24) e endividamento líquido médio +20,1% a/a. Houve disciplina de capital: Capex Líquido de R$2,0 bilhões (-7,6% a/a), EBITDA/Capex Líquido anualizado de 2,2x (vs. 1,0x no 2T24), liquidez de R$14,1 bilhões e captações de R$2,6 bilhões a CDI + 1,8% com prazo médio de 4,2 anos. A alavancagem ficou em 3,6x Dívida Líquida/EBITDA (ex-BBC) e 2,3x nas dívidas locais, abaixo do covenant de 3,5x, com ROIC produtivo em 13,8% UDM (+3,0 p.p.). JSL elevou margem EBITDA para 21,6%, Movida manteve recomposição de preços e entregou EBITDA de R$1,379 bi, e a Vamos reduziu guidance 2025 (Capex e lucro) para priorizar retorno e caixa.
Este resultado consolida a execução do plano de eficiência e de disciplina financeira iniciado com a profissionalização das lideranças, ao dar continuidade à nomeação de Paulo Pinho para a presidência do Banco BBC, sinalizando a integração do braço financeiro à estratégia de funding do grupo. O custo médio de novas captações (CDI + 1,8%) e o alongamento do prazo (4,2 anos) sugerem foco em casar passivos com ativos de locação, preservando a margem operacional enquanto o lucro contábil segue pressionado pelos juros. Em paralelo, a redução do Capex e o ajuste de guidance na Vamos indicam realocação seletiva de capital para projetos de maior retorno, refletida no avanço do indicador EBITDA/Capex e na virada de consumo para geração de caixa após crescimento no trimestre.
Essa disciplina está sustentada pela capacidade do grupo de acessar linhas de custo competitivo e longo prazo, como evidenciado pelo financiamento de longo prazo do BNDES para a expansão da Ciclus Rio, que reforça o pilar ESG e adiciona receitas com biometano e créditos de carbono ao portfólio. Em um cenário de Selic elevada, esses instrumentos reduzem o custo médio ponderado de capital e ajudam a manter o investimento essencial sem comprometer a desalavancagem orgânica. A consistência da geração de caixa antes dos juros (+31,8% a/a) sugere que a prioridade de eficiência operacional está se traduzindo em maior resiliência do fluxo de caixa, mesmo com o efeito negativo do carrego financeiro no resultado líquido.
Ao mesmo tempo, a diversificação de receitas e riscos avança com a primeira concessão internacional da CS Infra, com receitas tarifárias em dólar, criando proteção cambial natural e abrindo nova avenida de crescimento de margens em infraestrutura. Essa expansão, somada ao avanço de Seminovos e F&I na Automob e à recomposição de preços na Movida, compõe uma narrativa de portfólio mais equilibrado: menos intensivo em Capex incremental, mais orientado a retorno e geração de caixa. Em síntese, o 2T25 reforça a tese de que a Simpar está monetizando suas bases operacionais enquanto ajusta o passo do crescimento para atravessar o ciclo de juros altos com solidez.







