A GOL (GOLL3) encerrou o 2T25 com prejuízo de R$ 1.532 milhões, receita líquida de R$ 4.837 milhões (+22,9% a/a) e EBITDA recorrente de R$ 1.134 milhões (margem de 23,4%). A receita de passageiros avançou 24,1%, com RASK de 42,5 centavos (+3,0%), PRASK de 38,0 centavos e yield de 46,3 centavos. A oferta (ASK) cresceu 19,2% — +62,1% no internacional e +13,3% no doméstico — elevando o load factor para 82,1% (+1,4 p.p.) e os passageiros transportados para 8,0 milhões. Nos custos, o CASK foi de 39,0 centavos e o CASK ex-combustível de 27,6 centavos, pressionados por câmbio, depreciação e manutenção, parcialmente diluídos pela escala. O fluxo de caixa operacional somou R$ 1,126 bilhão, com CAPEX de R$ 345–357 milhões (motores); a liquidez total atingiu R$ 5,4 bilhões. A dívida bruta foi de R$ 26.337 milhões e a líquida de R$ 20.509 milhões, com alavancagem de 3,7x. A frota totalizou 141 aeronaves (57 737-MAX, 76 737-NG e 8 737-800BCF), e a meta é ter toda a frota em operação até o 1T26, dentro do Plano de 5 anos. Em 06/06/2025, a companhia concluiu a reestruturação sob o Chapter 11, com apoio do Grupo Abra.
Os números indicam continuidade da normalização pós-reestruturação e dialogam com as classificações de risco recebidas após a conclusão do Chapter 11 em junho, quando as agências destacaram que a desalavancagem e a execução operacional nos trimestres seguintes seriam decisivas. A combinação de crescimento de receita, ganho de ocupação e geração de caixa operacional robusta contrasta com os efeitos ainda presentes de câmbio e manutenção, e ajuda a reduzir a alavancagem reportada para 3,7x, reforçando a tese de recuperação sob a governança do Grupo Abra e com foco em disciplina de capacidade e rentabilidade por rota. Adicionalmente, as métricas de receita (RASK, PRASK e yield) mostram resiliência com a malha ampliada e mix mais internacional, enquanto o CASK ex-combustível reflete o período de transição de frota e maior depreciação; a diluição por escala e a captura de eficiência serão vetores-chave na segunda metade do ano, especialmente com a retomada gradual de aeronaves paradas e o foco no ciclo de manutenção de motores. Esse quadro converge com o calendário ajustado do 2T25 auditado e a orientação para monitorar yield, CASK ex-combustível e alavancagem divulgados recentemente, que posicionam o 2T como peça de validação da qualidade do lucro e da normalização operacional pós-Chapter 11.
À frente, a execução do Plano de 5 anos — com disponibilidade plena de frota até o 1T26, otimização do ciclo de manutenção de motores e disciplina de capital — deve direcionar margens e sustentar a expansão internacional observada no trimestre. O fluxo de caixa operacional de R$ 1,126 bilhão e a liquidez de R$ 5,4 bilhões oferecem colchão para a sazonalidade do 3T e a volatilidade cambial, enquanto a malha mais rentável tende a manter o PRASK em patamares elevados. Essa leitura também contrasta com o prejuízo de maio de 2025 após a saída do Chapter 11, quando a companhia reportou EBITDA negativo e alta volatilidade operacional. O avanço observado no 2T25 sugere que os impactos extraordinários daquele período foram sendo absorvidos, abrindo espaço para estabilização de margens e continuidade da desalavancagem.







