A BRF (BRFS3) anunciou nesta terça-feira, 5 de agosto de 2025, a conclusão de sua 7ª emissão de debêntures no valor total de R$ 2 bilhões. A operação foi estruturada em cinco séries com vencimentos escalonados entre 2029 e 2045, via colocação privada junto à ECO Securitizadora de Direitos Creditórios do Agronegócio.
A emissão contempla debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, distribuídas em: R$ 979 milhões com vencimento em 2029, R$ 204,6 milhões em 2032, R$ 197,8 milhões em 2035, R$ 77,4 milhões em 2040 e R$ 541,2 milhões em 2045. Cada título possui valor nominal de R$ 1 mil.
A operação integra a estratégia de gestão do perfil de endividamento da companhia, buscando otimizar a relação prazo-custo de seus instrumentos de dívida. As debêntures foram transformadas em certificados de recebíveis do agronegócio pela securitizadora para distribuição pública. A capacidade da BRF de acessar o mercado de capitais com essa magnitude reflete a solidez financeira demonstrada nos resultados recordes do primeiro trimestre com lucro de R$ 1,185 bilhão e a menor alavancagem de sua história.
O timing da operação é particularmente estratégico, ocorrendo após a aprovação da incorporação pela Marfrig com 43,8% dos votos favoráveis em agosto. O alongamento do perfil de dívida com vencimentos que chegam a 20 anos pode estar alinhado à preparação da estrutura de capital no contexto da fusão, considerando que a Marfrig já consolidou 58,87% do capital social da BRF através de instrumentos financeiros derivativos em julho.
O movimento sinaliza foco da BRF em alongar o prazo médio de suas dívidas, especialmente com vencimentos que chegam a 20 anos. Investidores devem acompanhar os próximos resultados trimestrais para verificar o impacto desta operação nos indicadores de alavancagem e custo de capital da empresa.







