Os números do 2T25 da Locaweb mostram aceleração e maior qualidade do crescimento: receita líquida de R$ 370,8 milhões (+10,4% a/a; +6,3% t/t) e EBITDA ajustado de R$ 75,9 milhões (margem de 20,5%), a melhor para um 2º trimestre desde o fim do ciclo de aquisições. O motor veio de Commerce, com R$ 266 milhões (+15,4% a/a; +8,9% t/t) e margem de 19,6%, enquanto Beonline/SaaS ficou estável a levemente negativo a/a. No operacional, o ecossistema manteve tração (GMV +15,1% a/a; TPV +19,1%; base de assinantes +5,2%). Este desempenho consolida a virada iniciada no começo do ano, quando a companhia reportou crescimento de 28,4% no lucro líquido ajustado no 1T25, sinalizando que a expansão de margens não é pontual.

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Depois desse marco, a combinação de ganho de eficiência e uso de IA — com redução de mais de 80% no esforço de desenvolvimento e queda de 50% nos atendimentos nas operações piloto — reforça alavancas estruturais para rentabilidade. A mensagem da administração (“aceleração de receita”, “expansão da rentabilidade”, “geração de caixa” e “avanço em IA”) é coerente com a execução observada no trimestre, especialmente pela melhora simultânea de crescimento e margem em Commerce, enquanto Beonline/SaaS preserva rentabilidade de 22,7%, mesmo com leve queda a/a.

Em capital allocation, o 2T25 evidenciou disciplina: FCF após capex de R$ 102,7 milhões (vs. R$ 28,7 milhões no 2T24), caixa das operações de R$ 132,6 milhões e variação positiva de capital de giro de R$ 59,8 milhões, sustentando R$ 63,6 milhões em retorno ao acionista no ano (R$ 35 milhões em recompras e R$ 28,6 milhões em dividendos). Esse movimento dá continuidade a uma governança mais ativa, ancorada pela elevação do Kinea para 10% do capital e estratégia de presença ativa na governança, reforçando o debate sobre alocação de capital, M&A e disciplina operacional sem interferência no controle.

Esse reforço institucional tende a estabilizar a base de longo prazo e a apoiar decisões de retorno de capital em um ciclo de geração de caixa mais robusto. Ao mesmo tempo, a estrutura acionária passou por rotação recente — um processo saudável que pode reduzir ruído de curto prazo e ampliar o espaço para recompras — com a redução da participação da Nuveen para 4,76% em 1º de agosto. No pano de fundo, a companhia ainda manteve diluição contida em exercícios de opções (base de 566 milhões de ações), preservando a capacidade de expansão de lucro por ação à medida que a margem melhora, o crescimento de Commerce segue resiliente e a monetização dos serviços financeiros — agora sob liderança do novo VP Marcelo Scarpa — busca ampliar a rentabilização da base de clientes.

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