A Infracommerce (IFCM3) reportou no 2T25 prejuízo de R$ 61,4 milhões, receita líquida de R$ 181,9 milhões e GMV de R$ 3,2 bilhões. Em 12 meses, a receita caiu 26,7% (ex-antecipação) e o GMV recuou 11,6%, enquanto custos e despesas sem impairment cederam 50,2% para R$ 187,0 milhões. A margem bruta avançou 5,9 p.p., atingindo 25,6% (R$ 46,5 milhões). O EBITDA contábil foi de R$ 15,4 milhões e o indicador EBITDA (-) Capex (+) Desp. Antecipação (-) Aluguéis teve margem de 2,5%, alta de 41,6 p.p. a/a. O resultado financeiro líquido somou -R$ 53,1 milhões, mas com efeito caixa estimado de -R$ 11,1 milhões, e a empresa encerrou com caixa de R$ 101,3 milhões e endividamento líquido ajustado positivo de R$ 28,8 milhões.
Este resultado consolida a etapa de desalavancagem, ancorada na conversão de debêntures da 3ª emissão em ações, aprovada em junho. Na linha do trimestre, a companhia destacou que R$ 43 milhões do resultado financeiro negativo foram provisões de juros de instrumentos mandatoriamente conversíveis que serão liquidados por capitalização, reduzindo o efeito caixa. Ao traduzir dívida bancária em capital, a empresa troca despesa financeira recorrente por diluição futura, preserva liquidez (R$ 101,3 milhões) e sustenta a execução do plano de transformação, que já estaria 75% concluído com simplificação de portfólio e disciplina de custos.
No lado societário, a atração de credores estratégicos reforçou esse caminho, como a entrada da GB Securitizadora com 14,94% via capitalização de créditos. Esse padrão — conversões e capitalizações — ajuda a explicar a queda do custo caixa, ao mesmo tempo em que cria base de capital para suportar a eficiência operacional. Mesmo com receita e GMV menores na comparação anual, a combinação de custos em queda, margem bruta em alta e disciplina de capex (R$ 5,1 milhões no trimestre) sustentou a melhora do indicador EBITDA (-) Capex (+) Desp. Antecipação (-) Aluguéis para 2,5%. Com endividamento líquido ajustado positivo, a companhia ganha fôlego para focar SLAs e eficiência rumo à alta sazonalidade.
A dinâmica da base acionária segue em ajuste, com a redução da participação da Vermelha do Norte para 9,91% em julho, após ter ampliado a posição por capitalização de créditos. O movimento sugere normalização pós-reestruturação e maior liquidez após eventos societários, enquanto a gestão indica ter concluído a etapa de desalavancagem ao converter endividamento bancário em instrumentos mandatoriamente conversíveis. Para o próximo ciclo de pico, a estratégia de priorizar níveis de serviço, mantendo a disciplina de custos (despesas comerciais e administrativas -67,6% a/a e custo do serviço -32,1% a/a), pode capturar receita incremental sem pressionar o caixa, reforçando a trajetória de recuperação operacional.






