Em fato relevante de terça-feira, 1 de setembro de 2026, a Azevedo & Travassos S.A. (AZEV3, AZEV4) informou que alienou, em 2026, a totalidade das cotas de emissão do Azevedo & Travassos Infraestrutura I FIP Infra à Quimassa Infraestrutura Ltda., acionista da Rota Mogiana SPE S.A., por R$ 43.546.000. O valor corresponde exatamente ao investimento inicial da companhia no projeto, devolvendo integralmente o capital investido, sem lucro ou prejuízo.

Segundo a empresa, a operação limita-se à titularidade das cotas e não altera a estrutura do fundo, que segue detentor da participação na concessionária. Permanecem inalterados o administrador do fundo, Planner Corretora de Valores S.A., e o gestor, 4i Capital Ltda., preservando a continuidade da governança e da administração do veículo de investimento.

A decisão foi motivada por alteração material na estrutura de capital do projeto. A operação, inicialmente desenhada com cerca de 90% de capital de terceiros e 10% de capital próprio, passou a contar com estrutura próxima de 75% de capital de terceiros e 25% de capital próprio, após mudanças nas condições de mercado e substituição por financiamento-ponte (bridge loan) de dois anos. Isso elevou em aproximadamente 2,5 vezes a parcela de recursos próprios requerida, gerando exposição adicional superior a R$ 150 milhões, acima do limite de exposição a um único projeto previsto na política de gestão de riscos da companhia.

A empresa destaca ainda que, além do aumento do capital próprio, houve maior severidade de restrições típicas de financiamentos de projeto, como exposição a aportes complementares em caso de alta de juros, limitações à distribuição de dividendos pela concessionária durante a vigência da estrutura e limites de endividamento e covenants operacionais na holding. Essas condições, que antes incidiam sobre um mini-perm de quatro anos com refinanciamento previsto no mercado de capitais e BNDES, passaram a incidir sobre um bridge loan de dois anos e uma base de capital próprio 2,5 vezes maior, reduzindo o prazo de financiamento pela metade enquanto o capital próprio exposto se multiplicou.

A Azevedo & Travassos afirma que a alienação não decorre de reavaliação do mérito ou da qualidade operacional do ativo, mas da mudança no perfil de risco-retorno para o acionista. A operação recompõe integralmente os recursos aportados, exonera a companhia de compromisso adicional de capital próprio superior a R$ 150 milhões, preserva a capacidade de endividamento e a flexibilidade operacional do grupo e reforça a liquidez em cenário macroeconômico de incerteza. A consumação da venda ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais e da obtenção de anuências e aprovações aplicáveis, inclusive perante o poder concedente.

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