Na divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T-26), a Natura (NATU3) registrou lucro líquido de R$ 35 milhões, ante R$ 446 milhões das operações continuadas no mesmo período de 2025. A receita líquida consolidada do Grupo Natura somou R$ 5,170 bilhões no 2T-26, queda de 9,1% na comparação anual, enquanto o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 620 milhões, com margem de 12,0% ou 13,2% ao excluir o efeito de um descasamento tributário temporário.
Segundo o relatório, a retração da receita refletiu principalmente o desempenho mais fraco no Brasil, onde a receita líquida caiu 14,8% na comparação anual, afetada por forte indisponibilidade de produtos, cenário macroeconômico adverso e impacto de mudanças no regime de ICMS-ST em São Paulo, que reduziram a receita em cerca de 2 pontos percentuais no trimestre. Nos mercados hispânicos, a receita ficou praticamente estável em reais (+0,7%), mas cresceu 7,2% em moeda constante, com aceleração de crescimento no México e recuperação gradual na Argentina.
A margem bruta consolidada do Grupo Natura ficou em 65,7% no 2T-26, recuo de 70 pontos-base em relação ao 2T-25, influenciada pelo efeito tributário no Brasil e pela pressão contínua nas margens na Argentina, parcialmente compensados por ganhos no México. As despesas com vendas caíram 2,4% ano a ano, mas subiram 310 pontos-base como porcentagem da receita líquida devido à desalavancagem operacional no Brasil. As despesas gerais e administrativas recuaram 18,0% na comparação anual, com melhora de 160 pontos-base sobre a receita líquida, reflexo dos ganhos iniciais de eficiência do novo modelo operacional.
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 297 milhões no 2T-26, ante resultado positivo de R$ 23 milhões no mesmo trimestre de 2025, deterioração de R$ 320 milhões explicada principalmente pela variação cambial financeira de R$ 114 milhões negativos e pelos custos de liquidação de derivativos atrelados a bonds em dólar. As despesas financeiras totalizaram R$ 227 milhões, com juros sobre dívida de R$ 127 milhões, enquanto as receitas financeiras somaram R$ 32 milhões, incluindo rendimento de 0,9% no trimestre sobre caixa e equivalentes de R$ 2,4 bilhões.
O fluxo de caixa livre das operações continuadas foi neutro no 2T-26, ante geração de R$ 159 milhões no 2T-25, enquanto o fluxo de caixa livre para a firma (FCFF) foi positivo em R$ 342 milhões, ligeira redução de R$ 23 milhões na base anual. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 3,864 bilhões, queda de R$ 179 milhões em relação ao 1T-26, e o índice de alavancagem, incluindo efeitos de IFRS 16, ficou em 2,06 vezes a relação dívida líquida/EBITDA, ligeiramente abaixo do observado no trimestre anterior.








