A MRV divulgou a prévia operacional do 4T25 com geração de caixa ajustada de R$ 278,4 mi na incorporação (MRV + Sensia), marcando inflexão na série trimestral: R$ (127,4) mi no 1T25, R$ (38,3) mi no 2T25 e R$ 32,6 mi no 3T25. Segundo a companhia, a margem bruta atual já garante geração de caixa, mas o “delta” entre unidades produzidas e repasses segue determinante, em um trimestre que também registrou aumento de R$ 104 mi na Conta Transitória da CEF (“mudança de critério de pagamento”) e menção a repasses não efetivados (cheques regionais). A métrica é ajustada: exclui cessões de recebíveis, R$ 31 mi de swaps de dívidas e juros corporativos relacionados ao Loan Agreement da MRV US.

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Este avanço sinaliza normalização operacional após um 2025 pressionado por repasses, mas ainda revela fricções de execução e de contabilização de recebíveis. A própria MRV reforça que o cálculo de geração de caixa é “ajustado” para isolar efeitos financeiros. Esse esforço de depuração é coerente com o ajuste metodológico e reconhecimento do não cumprimento do guidance de caixa de 2025, quando a empresa passou a separar ruídos financeiros do desempenho do core. Na prática, a contabilização em Conta Transitória e os repasses não efetivados podem deslocar temporalmente a conversão de resultado em caixa, mas não invalidam a leitura de que a margem bruta já sustenta geração operacional; eles apenas tornam a cadência mais sensível à liberação dos repasses.

Do ponto de vista de alocação de capital, a clareza sobre o que é caixa recorrente dialoga com a estratégia de preservar liquidez enquanto a normalização de repasses e a reciclagem de ativos avançam. A opção por swaps com liquidação financeira e o arsenal de recompra funcionam como amortecedores táticos nessa transição, como delineado no programa de recompra e derivativos autorizado até 2027; ao reduzir consumo imediato de caixa e manter exposição ao upside da ação, a MRV mantém flexibilidade para atravessar trimestres com menor venda de ativos (como na Resia no 4T25) sem comprometer a disciplina de desalavancagem.

Nos demais negócios, a Urba acumulou R$ 28 mi de geração de caixa em 2025 — alta de 863% e sinal de que o turnaround anunciado se consolidou —, enquanto a Luggo concluiu três empreendimentos e iniciou locações nas modalidades Long e Short Stay (Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro). Já a Resia, sem vendas de ativos no 4T25, teve queima de caixa por G&A e despesas financeiras, mas reiterou o plano de desinvestir ~US$ 800 mi até 2026 (US$ 149 mi já vendidos), com retomada das liquidações a partir do 1T26. Em conjunto, os movimentos reforçam a narrativa de recuperação operacional no Brasil, apoio da margem bruta e disciplina de capital, com reciclagem nos EUA como vetor adicional de desalavancagem.

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MRV Engenharia e ParticipaçõesMRVE3