A Gafisa (GFSA3) encerrou o 3T25 com prejuízo líquido de R$ 92,116 milhões, receita operacional líquida de R$ 120,832 milhões e EBITDA ajustado de -R$ 27,384 milhões (margem de -22,7%). O trimestre marcou forte contração frente ao 2T25 (quando houve lucro de R$ 6,824 milhões) e ao 3T24, com queda de 25,5% t/t e 45,2% a/a na receita e retração do lucro bruto ajustado de 81,3% t/t e 84,7% a/a. Apesar do quadro pressionado, a alavancagem recuou para 58,47% (-3,5 p.p. t/t) e a dívida líquida caiu 6% no trimestre, refletindo disciplina financeira, o follow-on de julho (R$ 89 milhões) e a emissão de debêntures de outubro (R$ 50 milhões) destinada a obras. Esse pilar de funding segue a linha já delineada na oferta de debêntures da 19ª emissão com prioridade a acionistas e bônus de subscrição, estruturada para ampliar liquidez sem desalinhamentos na base.

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No operacional, as vendas brutas do 3T25 somaram R$ 81,727 milhões, com VSO LTM de 37,5%. No ano, as vendas brutas totalizam R$ 470,919 milhões, 76% em alto padrão; as vendas líquidas foram de R$ 53,430 milhões e os distratos, de R$ 28,297 milhões. O estoque atingiu R$ 1,252 bilhão (-6,0% t/t; +18,1% a/a), 66% concentrado em alto padrão e 79% em obras em andamento. A empresa mantém 11 obras em execução (VGV de R$ 3,2 bilhões, 87% vendidas) e reforça o portfólio com a segunda etapa do Allard Oscar Freire, inauguração de flagship na Cidade Matarazzo e expansão da parceria para Ipanema (RJ). As receitas a apropriar de R$ 384,455 milhões e a margem de 29,0% (+2,0 p.p. a/a) dão visibilidade para conversão futura de resultado, desde que a execução financeira preserve previsibilidade. Nesse front, a companhia mostrou zelo por equidade e precisão operacional ao corrigir parâmetros da prioridade aos acionistas por meio do ajuste técnico do Limite de Subscrição Proporcional da oferta prioritária, reduzindo risco de assimetria entre investidores durante a captação.

Em paralelo, o trimestre foi atravessado por recalibração da base acionária, com gestores ajustando exposição em torno de marcos regulatórios (5% e 10%), o que tende a reduzir ruído técnico, aprofundar o book e ancorar emissões híbridas com mecanismos claros de alocação. Esse pano de fundo fica evidente na recomposição da base acionária ao fim de setembro, quando fundos zeraram ou reduziram posições nos termos da CVM 44, preparando o terreno para a engenharia de capital vista em outubro. Com funding mais diversificado, base mais distribuída e foco em execução, a administração projeta concluir duas obras até o fim do ano e entrar em 2026 com portfólio mais qualificado e estrutura enxuta, buscando transformar o estoque vendido e as receitas a apropriar em geração de caixa e gradual recomposição de margens.

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