No 3T25, a Serena Energia reportou lucro líquido ajustado de R$ 16,8 mi, EBITDA ajustado de R$ 483,5 mi e Lucro Bruto de Energia Ajustado de R$ 690,0 mi. A geração somou 2.891 GWh (-5% a/a), pressionada por curtailment de 303 GWh em ativos de grande escala; sem esse efeito, a produção cresceu 0,6% a/a. O lucro bruto unitário avançou para R$ 238,9/MWh (+7% a/a), refletindo preços e contratos, enquanto o resultado financeiro foi de -R$ 246,4 mi. O fluxo de caixa recorrente ficou em R$ 341,6 mi (-8% a/a), com caixa ajustado de R$ 1,70 bi (+12% t/t), dívida líquida de R$ 8,65 bi e alavancagem estável (DL/EBITDA da Serena Geração em 3,3x; consolidado em 4,4x). A companhia mantém 94% da produção média assegurada 2025–2034 contratada, a R$ 229,3/MWh, e reforçou expectativa de indenizações por cortes sem respaldo regulatório, o que poderia levar o resultado de 2025 acima do plano de negócios.
Os números revelam resiliência de margens em um trimestre de ventos abaixo do esperado em alguns complexos (Bahia em P48, Delta em P39 no acumulado do ano). Em paralelo, a trajetória de queda da dívida bruta para ~R$ 10,5 bi e a folga frente aos covenants preservam capacidade financeira para atravessar a volatilidade de recurso e o ciclo de pleitos de compensação. O mix de contratos de longo prazo atua como colchão de preços, atenuando a menor geração e sustentando a expansão do lucro bruto por MWh.
No campo societário, o fechamento de capital de R$ 5,4 bi e a saída do pregão em 13/11 coroam uma sequência estratégica. O movimento dá continuidade ao parecer favorável do Conselho à OPA para conversão à categoria B e saída do Novo Mercado, que reduziu amarras do segmento especial e abriu caminho para simplificar a estrutura de capital, ajustar a governança e concentrar a alocação de recursos na execução operacional e no destravamento de valor de litígios regulatórios. Ao mesmo tempo, a consolidação de uma base de referência e a compressão do free float prepararam as condições para a etapa seguinte da reorganização.
Essa etapa de mercado foi selada com a conclusão do leilão da OPA, com 96,1% do capital nas mãos da ofertante e AGE para deliberar o resgate, definindo preço atualizado pela DI e cronograma de liquidação em 18/11. A partir desse gatilho, a companhia manteve aberto o período de aquisições supervenientes, alinhou a recomposição do Conselho e reforçou a comunicação de RI para a fase final da migração regulatória — movimentos típicos de fechamento de capital que focalizam eficiência societária, custos e previsibilidade.
Na sequência, a CVM deferiu a conversão do registro de A para B e a saída do Novo Mercado, com as ações deixando de ser negociadas, encerrando o ciclo de transição de listagem. Assim, a narrativa do 3T25 conecta desempenho operacional e disciplina financeira a um novo arranjo societário mais enxuto, no qual a elevada cobertura contratual e a busca de compensações por curtailment ganham centralidade para sustentar resultados em 2025 e além.







