A Qualicorp reportou no 3T25 receita líquida de R$ 372,6 milhões (+4,3% vs. 2T25), EBITDA ajustado de R$ 144,2 milhões (margem de 38,7%, -2,8 p.p.), lucro líquido ajustado de R$ 19,7 milhões (+8,8% vs. 2T25) e fluxo de caixa livre recorrente de R$ 101,8 milhões. O churn ficou em 10,3%, o menor nível para um 3º trimestre desde 2020, mesmo com redução de 2,7% nas vidas administradas para 570,5 mil; no mix, o portfólio core encerrou em 860,2 mil (-3,7%), o PME subiu a 98,8 mil (+1,0%) e a linha Adesão Outros recuou a 190,9 mil (-8,7%). O EBITDA ajustado menos CAC foi de R$ 106,9 milhões após CAC orgânico de 10% da receita. A despesa financeira líquida somou R$ 48,1 milhões; a dívida líquida ficou em R$ 881,2 milhões (alavancagem de 1,53x EBITDA LTM). Houve impacto não recorrente de R$ 11,7 milhões por provisão contábil, sem efeito de caixa no trimestre.

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Nos eventos subsequentes, a companhia concluiu a 8ª emissão de debêntures (R$ 400 milhões) para reforço de caixa e casamento de vencimentos, movimento que dá continuidade à autorização da 8ª emissão de debêntures para amortizar a QUAL16 em 2026. Ao pré-financiar o pico de 2026, com dois anos de carência e primeiro pagamento em 2027, a Qualicorp reduz o risco de refinanciamento, preserva liquidez e ganha previsibilidade para sustentar o turnaround. O 3T25 adiciona peças a esse desenho: FCL robusto, alavancagem estável em 1,53x e churn em patamar historicamente mais baixo sugerem que a combinação de disciplina comercial e CAC seletivo começa a se refletir em unit economics mais saudáveis, mesmo com algum aperto de margem pela dinâmica de mix e pela reacomodação da base.

Em paralelo, a simplificação do portfólio avança: a empresa concluiu a cessão da carteira Empresarial e a alienação da Gama, que deixam de compor os resultados a partir de 2026 — etapa que materializa o foco em adesão e PME, reduz complexidade operacional e diminui a volatilidade de sinistralidade. Esse movimento se conecta ao closing da alienação da Gama Saúde, concluindo a saída do ativo não core, convertendo anúncios em execução e adicionando previsibilidade de recebíveis corrigidos pelo CDI. No curto prazo, a saída de linhas menos alinhadas ao core pode pressionar volumes, mas tende a elevar a qualidade da base e a capacidade de retenção, o que dialoga com o churn mais baixo observado no trimestre e com a agenda de novos produtos orientados a ticket e mix melhores.

Do lado de crédito, a conclusão da captação foi amparada por percepção de risco favorável e por execução consistente ao longo do semestre, o que fortalece a tese de pré-financiamento do ciclo de 2026. Nesse contexto, a companhia já havia obtido o rating brAAA atribuído pela S&P à 8ª emissão, reforçando demanda, custo e timing de execução. Em conjunto com o pré-pagamento planejado da 6ª emissão (QUAL16) e com os desinvestimentos de ativos não core, o 3T25 consolida a narrativa de 2025: gestão ativa do passivo, desalavancagem gradual e foco no core — elementos que ajudam a explicar o avanço de receita e a resiliência do EBITDA enquanto a base de vidas passa por uma recomposição guiada por rentabilidade.

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