A Creditaqui Financeira, identificada no documento de referência como Mercantil Financeira S.A. - Crédito, Financiamento e Investimento, é uma instituição financeira constituída em 30 de novembro de 1972, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. A companhia é controlada pelo Banco Mercantil do Brasil S.A. e tem sua sede na região central da capital mineira. Em 20 de julho de 1977, recebeu da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o registro de companhia aberta, com autorização para negociação de suas ações em bolsa de valores, hoje listadas na B3 – Brasil, Bolsa, Balcão, sob os tickers MERC3 e MERC4. Desde a sua criação, opera como empresa privada nacional, inserida no sistema financeiro brasileiro sob supervisão do Banco Central do Brasil.
A empresa atua de forma integrada ao seu controlador, o Banco Mercantil do Brasil, aproveitando a posição consolidada deste no mercado financeiro. Essa integração se reflete no uso da estrutura de agências do banco, que ao final de 2024 contava com 294 unidades e pontos de atendimento distribuídos pelos principais centros econômicos do país. O grupo Mercantil, que inclui a Mercantil Financeira (Creditaqui Financeira), está organizado para operar nas principais modalidades da indústria bancária e em atividades subsidiárias e complementares, o que oferece uma base operacional e institucional para as operações de crédito realizadas pela financeira.
O modelo de negócio da Creditaqui Financeira é centrado principalmente na concessão de crédito direto ao consumidor (CDC) e de crédito consignado. A companhia foca especialmente em dois públicos: servidores públicos federais e beneficiários do INSS, segmentos que costumam apresentar estabilidade de renda e pagamento via desconto em folha, o que influencia o perfil de risco de suas operações. Em 31 de dezembro de 2024, as operações de crédito responderam por 96,55% da receita líquida da companhia, evidenciando a preponderância desse segmento sobre as demais atividades. Além disso, parte relevante das receitas de serviços vem de tarifas ligadas à abertura de crédito, tarifas bancárias e de cadastramento associadas a essas operações.
Além do crédito, a empresa administra uma posição de caixa que é aplicada junto ao seu controlador por meio de operações de títulos e valores mobiliários, predominantemente em operações interbancárias. Essas operações com TVM, somadas ao resultado de aplicações compulsórias, representaram ao final de 2024 uma parcela minoritária da receita líquida se comparada às operações de crédito. A gestão de caixa, ainda que relevante para a liquidez da instituição, não altera o caráter predominantemente creditício do negócio. A companhia não apura lucro ou prejuízo por segmento operacional de forma segregada, de modo que os resultados não são apresentados separadamente para crédito, operações com títulos e serviços.
A distribuição dos produtos da Creditaqui Financeira é feita tanto pela sede quanto pela rede do Banco Mercantil do Brasil, com ênfase no varejo bancário. Essa capilaridade permite à empresa acessar clientes em diferentes regiões e grandes centros econômicos do país. No mercado de crédito para pessoas físicas, a companhia atua em segmentos competitivos, disputando espaço com outras instituições financeiras. Segundo dados do Banco Central do Brasil, em dezembro de 2024 o market share da empresa em pessoas físicas foi de 0,015%, enquanto no segmento de crédito consignado atingiu 0,1099%, e no crédito direto ao consumidor para pessoas físicas (CDC PF) também figurou com participação reduzida. Ainda assim, a empresa manteve, nos últimos três exercícios, um volume médio de operações de crédito próximo a R$ 200 milhões por ano, chegando a cerca de R$ 465 milhões em 2024.
A base de clientes da Creditaqui Financeira é pulverizada, sem concentração relevante em poucos tomadores. No exercício encerrado em 31 de dezembro de 2024, a companhia não possuía clientes individuais responsáveis por mais de 10% de sua receita líquida total, o que reduz o risco de dependência de um único contratante. A demanda por crédito, entretanto, é sensível ao ambiente macroeconômico. Em períodos de crise, há tendência de retração na procura por financiamento, afetando tanto o mercado em geral quanto as operações da companhia. Cenários de deterioração econômica podem elevar a inadimplência, exigindo maior rigor na concessão e resultando em volume menor de crédito. Fora esses efeitos de ciclo econômico, não há registro de sazonalidade relevante na atividade operacional.
Do ponto de vista regulatório, a Creditaqui Financeira opera sob forte supervisão estatal, como é típico de instituições financeiras. A licença de funcionamento foi concedida pelo Banco Central do Brasil em 12 de dezembro de 1972, e desde então a companhia mantém relacionamento considerado adequado com a autoridade monetária, sem registro de situações que coloquem suas atividades em risco, conforme descrito no documento. Além disso, como companhia aberta, está sujeita às normas da CVM, atendendo às exigências de divulgação de informações ao mercado. As atividades estão restritas ao território nacional, e a empresa não registra receitas provenientes de outros países, o que concentra sua exposição regulatória no arcabouço brasileiro.
Em relação a práticas ambientais, sociais e de governança (ASG), a Creditaqui Financeira está inserida nas diretrizes do Grupo Mercantil. Em linha com a Resolução CMN 4.945/21, o grupo adota políticas para gestão de riscos sociais e ambientais, incluindo código de ética, treinamentos contínuos, postura de não tolerância a assédio ou discriminação e promoção de diversidade nos ambientes de trabalho. Há um canal de denúncias administrado por empresa independente, com garantia de sigilo e anonimato, além de políticas de gestão de pessoas, saúde e segurança do trabalho. No campo ambiental, apesar do baixo impacto direto de sua atividade, o grupo realiza gestão de consumo de água e energia, coleta seletiva de papel e descarte adequado de resíduos como lâmpadas e equipamentos eletrônicos. A companhia divulga anualmente seu Relatório de Sustentabilidade, utilizando conceitos do Global Reporting Initiative, e possui Política Institucional de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática, além de plano para considerar as recomendações da TCFD a partir de 2025.
Por fim, a Creditaqui Financeira não realiza doações a candidatos ou partidos políticos, em linha com a vedação legal a doações por pessoas jurídicas e com diretrizes internas do Grupo Mercantil. A instituição detém, desde 1972, a licença de funcionamento essencial para suas operações, reforçando a dependência estrutural da autorização estatal para atuar no sistema financeiro. Para o investidor pessoa física que observa as ações MERC3 e MERC4 na B3, a empresa se apresenta como uma financeira especializada em crédito a pessoas físicas, integrada a um banco de médio porte, com atuação concentrada no Brasil e foco em crédito consignado e direto ao consumidor dentro de um arcabouço regulatório e de governança próprio do setor bancário nacional.